0,5 – Trabalhos finais

Caros(as) alunos(as),

Pois estamos no meio do semestre e gostaria de lembrar a todos que 30% da nota deriva de um trabalho final. É bom já ir pensando no tema.

Quero aproveitar para deixar claro o que espero em um trabalho. Aceito textos impressos, mas prefiro arquivos rtf – assim posso fazer comentários no próprio texto. Abaixo, também faço algumas observações que podem ser úteis na redação dos trabalhos:

  • Não exijo um tamanho mínimo ou máximo. Os melhores trabalhos costumam ter entre cinco e sete páginas, mas quatro páginas de texto claro, objetivo e perspicaz valem mais que oito páginas repetitivas, pouco editadas e mal-pensadas.
  • Estou à disposição para ler e comentar versões preliminares e esboços.
  • O tema é livre, mas é uma boa idéia apresentá-lo com alguma antecedência (ergo, nas próximas semanas).
  • Bons trabalhos quase sempre são específicos – pegam um texto, um tema, um detalhe e desenvolvem. Ou seja, visam à profundidade, não à abrangência.
  • Bons trabalhos também costumam propor leituras agressivas de textos e/ou autores. Não peço diletantismo, mas prefiro uma leitura ambiciosamente equivocada a uma leitura burocraticamente incontestável. Ou seja, “Machado é um grande ironista” é óbvio demais; “Machado recorre à ironia em função da relação ambígua que mantém com seu público leitor – um público que critica e entretém simultaneamente” parece promissor.
  • A ambição, entretanto, não deve ser compreendida horizontalmente. Ela é vertical. Um trabalho sobre seis textos tem tudo para dar errado.
  • Não tenho qualquer problema com trabalhos escritos na primeira pessoa do singular.
  • Costumo dar notas menores a trabalhos que usam formas impessoais. São horríveis. Frases como “acredita-se que Vasconcelos assemelha-se a Freyre” geram uma ambigüidade desnecessária. Quem acredita? O autor da frase? O consenso acadêmico?? Freyre? Vasconcelos? Quem sabe o próprio espírito do acreditar leu Hegel e resolveu acreditar-se a si mesmo… “Não deixa de ser irônico que, Vasconcelos, excluídos os aspectos místicos de seu pensamento, tem um projeto semelhante ao de Freyre.” Ufa… bem melhor.
  • Costumo dar notas melhores a trabalhos dos quais discordo. Também costumo dar notas baixas a trabalhos com os quais concordo absolutamente – que tendem a dizer apenas o óbvio. Desde que haja um argumento claro, discordância é coisa boa. Pois prova que você desenvolveu uma leitura própria.
  • Costumo dar notas melhores a trabalhos com frases curtas e verbos fortes (”agrava” e não “faz agravar”, “esclarece” e não “torna mais claro”).
  • Costumo dar notas melhores a trabalhos que evitam as seguintes palavras e expressões: “no sentido de”, “situação”, “ousando criticar o mestre”, “desta forma” e “processo”. Sei lá… todos têm algumas palavras e expressões que detestam e com as quais implicam. Essas são as minhas.

AVISO DESAGRADÁVEL E, ESPERO, DESNECESSÁRIO
Finalmente, gostaria de fazer um pequeno aviso sobre um tema que não discutimos ainda. Mas faço questão de fazer este post a cada semestre. Não é coisa que eu espere de qualquer um de vocês e até temo ser ofensivo ao mencionar o assunto. Mas acho importante frisar este ponto. Tenho um valor acadêmico que me é muito importante: a repulsa total ao plágio. Sou absolutamente inflexível quanto ao tema.

Não sou policial nem saio buscando casos de plágio. Mas trabalho com linguagem há uns 15 anos e sei reconhecer o estilo de um autor – o vocabulário que usa, as estruturas que prefere, o jeito de pensar. Em outras palavras, sei reconhecer o estilo de um autor – inclusive o estilo de cada um de vocês.

Esta intimidade com as palavras alheias é, inclusive, o que mais gosto no que faço. E uma conseqüência da intimidade é que não preciso buscar seqüências destoantes de estilo. Nem preciso ficar atento a elas. Elas saltam à vista – o estranhamento é imediato. Raramente uso o google quando leio um trabalho. Mas, quando o faço, quase sempre encontro plágio.

Minha política para plágio é reprovar qualquer trabalho que contenha um trecho plagiado de uma frase ou menos. Se o trecho inclui mais de uma frase, REPROVO O ALUNO PELO SEMESTRE INTEIRO. Fora os turistas e fantasmas, menos de 20 pessoas reprovaram disciplinas que ministrei – destas, sete foram por plágio. Foi terrível não apenas para os reprovados, mas para mim também. Por isso faço este aviso.

Enfim, como evitar problemas? Plágio é a apresentação, como própria, de qualquer seqüência de palavras – por mais curta que seja – escrita por outrem. Qual é a convenção para reconhecer que uma dada seqüência de palavras é de outrem? “O uso das aspas, seguido do nome da pessoa citada em parêntesis, como essa frase demonstra (BONSENSO, 67)”.

Não quero ser moralista, mas quero enfatizar novamente que detesto o plágio. Para mim, encarna uma lógica oportunista, uma instrumentação da liberdade que busca o bônus sem ônus. Tomamos decisões sempre – muitas delas dificílimas. Viver é duro pacas. Mas não há coisa mais nobre no ser humano do que a sua capacidade de assumir o peso da liberdade. O plágio ofende tal nobreza, substituindo-a por uma lógica instrumental.

Tenho notado que uma origem comum do plágio é a insegurança. Tive muitos problemas com alunos (as) que se sentiam menos perspicazes ou preparados que os outros. Tinham medo de “falar besteira”.

Quanto a isso, só posso dizer três coisas. A primeira é que sei muito bem o que é ter medo de apanhar de um texto, de não dar conta dele – jamais escrevi um trabalho sem sentir esse medo. A segunda é que, até o fim do semestre, terei lido umas 15 ou 20 páginas em posts de cada um de vocês. Conheço as forças e as fraquezas de cada um. E levo-as em conta na hora de dar uma nota. Finalmente, a terceira coisa que posso dizer é que sei por esses mesmos posts que cada um de vocês é capaz de desenvolver uma leitura aprofundada – uma leitura que não apenas repete o que um texto diz, mas também explora como e porque ele diz o que diz.

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