Aula 10b – Vieira

“Vieira sofreu muito. E nem sempre foi popular.  Era considerado um traidor por muitos portugueses, pois defendeu a entrega do Nordeste durante a segunda invasão holandesa (1630 a 1654). E o desgaste só aumentou depois de 1641 – quando o jesuíta mudou-se para Lisboa para atuar como diplomata da Coroa. Ao defender os direitos dos judeus portugueses, entrou em conflito com a Ordem Dominicana e, especialmente, com a Inquisição. Desgastado, retornou ao Brasil em 1652 – pregando no Maranhão e no Pará.”

O Reinaldo Azevedo recentemente lançou uma série de invectivas contra as afirmações acima. Não vou responder a elas – até porque não fui o primeiro, ou o décimo, ou o milésimo a afirmar que Vieira defendeu a entrega do Nordeste. Que eu saiba, o primeiro a enfatizar o fato foi o historiador e diplomata Evaldo Cabral de Mello, cujo livro O negócio do Brasil menciona o caso. O assunto, por sinal, foi tema de uma reportagem publicada em novembro de 1998 pela própria Veja. Pelo visto, o colunista não sequer lê a revista onde “trabalha”. Com o título “A compra do nordeste”, a reportagem fala do assunto em duas ocasiões. Os trechos seguem abaixo.

A entrega do Nordeste era apoiada por uma voz no auge de seu prestígio, o Padre Antônio Vieira. Mas isso era pouco. A Inquisição não aceitava a cessão porque implicava transferir gentios brasileiros para hereges protestantes. Os nobres não queriam perder a região que pagava as pensões com que eram vestidos, alimentados e aquecidos. Para os comerciantes, ali era o lugar certo para enriquecer. Desperto pela independência e pelo culto a dom Sebastião, que morrera na luta contra os mouros, o povão de Lisboa considerava a entrega um insulto. Com uma rebelião vitoriosa na colônia e a metrópole contra si, dom João IV teve de curvar-se.

E

Antes do acerto definitivo, o Padre Antônio Vieira foi o principal defensor de um tratado em que se dividia a colônia brasileira e se entregava o Nordeste aos holandeses. Se a discussão era militar, Vieira lembrava que Portugal só podia desejar paz diante de um inimigo mais poderoso. Quando se falava de economia, argumentava que o Nordeste custava, em despesas de guerra, dez vezes mais do que pagava em impostos. Apoiado nesses argumentos, Vieira foi colher votos no Conselho de Estado, sem sucesso. Enquanto el rei dom João IV mudava de lado, ele pagou o preço de sua opinião. Malvisto pela Inquisição, caiu em desgraça e se viu forçado a mudar para o Brasil.

Preferi não inserir isso na página sobre Vieira para manter o registro original. (Essa gente é meio maluca).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: