Aula 15 – Euclides e Martí

Para quinta-feira, dia 2 de outubro, leremos um bigodão e um bigodinho. O  bigodinho é Euclides da Cunha. Já o bigodão é José Martí.

O texto de Euclides pode ser baixado aqui. Para quem quiser usar uma versão impressa, nossa seleção é composta pelos seguintes trechos de “O homem”, a famosa segunda parte de Os Sertões:

  1. as últimas duas seções do capítulo 2 (“uma raça forte” e “aparece logicamente”);

  2. todo o capítulo 3;

  3. as primeiras três seções do capítulo 4 (“documento vivo do atavismo”, “um gnóstico bronco” e “a história repete-se”).

Já nossa segunda leitura será “Nuestra America”, de José Martí. Trata-se de um texto curto, mas explícito em seu rechaço à antítese que Sarmiento faz entre civilização e barbárie. Tenho duas versões. O original em Espanhol está aqui. Já uma tradução para o Português encontra-se aqui.

Sugiro ler o Espanhol. Dá mais trabalho. Mas a verdade é que quem fala Português, fala Espanhol. Fala mal, mas fala. E é um idioma no qual tem muita coisa boa escrita. Ou seja, um esforço pequeno mas contínuo pode te garantir acesso – no original –  a uma biblioteca.

ABAIXO, SEGUE A APRESENTAÇÃO DO G.. GOSTEI DELA. E GOSTARIA DE AGRADECER A ELE POR TER ACEITO O DESAFIO DE SER O PRIMEIRO A INTRODUZIR UM AUTOR.

Desculpem o atraso em fazer esta apresentação.

Euclides da Cunha nasceu no município de Cantagalo no Rio de Janeiro em 20 de Janeiro de 1866. Ficou órfão da mãe aos três anos de idade. Freqüentou conceituados colégios na juventude e estudou na Escola Militar. Positivista, determinista e adepto do republicanismo, foi expulso do Exército ainda no Império e voltou à corporação após a Promulgação da República. Era bacharel em Matemáticas, Ciências Naturais e Físicas, além de primeiro-tenente do Exército.

Ao escrever artigos para o Estado de São Paulo sobre a insurreição de Canudos, foi convidado para fazer a cobertura do conflito. Daí surge a obra Os Sertões. Foi membro da Academia Brasileira de Letras. Euclides morreu em 1909, quando descobriu que sua mulher amada o traía com um outro militar. Euclides morreu com um tiro disparado pelo amante da esposa durante um “duelo”.

Sobre a obra de Euclides, podemos iniciar perguntando como a mestiçagem contribui para a formação do sertanejo. O argumento presente nos trechos lidos retrata o sertanejo como produto de um encontro entre raças e, principalmente, do meio em que nasce e pelo qual é construído. O meio em que o homem está inserido, em outras palavras, é o que estabelece as diferenças que caracterizam o sertanejo.

É importante observar a contradição que marca “o homem” que Euclides estuda. Ao mesmo tempo em que o sertanejo é “desengonçado, torto”, ele é também forte, diferente dos mestiços do litoral. Quando é desengonçado ou torto, é vítima da preguiça, o que o torna imóvel e quieto. Mas pode também transfigurar-se, demonstrando agilidade e força.

Euclides vê contradições semelhantes em outros aspectos da vida sertaneja, como a Religião. Percebe na fé deles um monoteísmo incompreendido, mestiço e formado pela convergência de valores e crenças diversas.

Esses são alguns dos elementos que podem ser observados em Euclides.

Acredito que é necessário atentar-se à maneira pela qual o autor constrói o sertanejo no trecho “uma raça forte”. A miscigenação resulta da junção de diversas características presentes nas origens de cada elemento formador do sertanejo, o que o torna um ser forte, autônomo, que supera as mazelas do sertão. “É uma raça cruzada, transfigurada pela própria combinação”.

Euclides encontra elogios para aquele grupo que esteve “abandonado há três séculos”, que não era estudado e que não tinha papel claro no projeto nacional brasileiro. E propõe assim um novo ser brasileiro, que possui características próprias e que se adapta a um meio diverso e de difícil vivência para a maioria dos grupos que imigraram ao Brasil naquele período.

Algumas décadas depois, Gilberto Freyre encontrou na miscigenação elementos que serviram para a construção de uma identidade nacional.

No surgimento da República, as autoridades encontraram dificuldades em estabelecer um herói ou uma identidade clara para o país. Adaptando seu positivismo ao problema, Euclides buscou no sertanejo um tipo brasileiro contraditório, forte e original.

11 Respostas to “Aula 15 – Euclides e Martí”

  1. Lucas Says:

    Progressita, Martí se apresenta como o primeiro ponto de inflexão dentro do discurso latino-americano em relação à importações de idéias européias que vimos até aqui. Digo isso pela clareza com que coloca a dissociação América latina versus Europa, América do Norte.

    Notável também a sua defesa do indígena, do ex-escravo, do campesinato. Ao fim do texto impressiona a máxima um tanto quanto anti-didática para um contexto extremante darwinista: “Não existe ódio de raças, porque não existem raças”. Dito isso, percebe-se fácil como ele toca no nosso ponto. Sua proposta é epistêmica e não deixa de ser, em grande medida, mítica, pois se fia da idéia de uma pan-américa mestiça, projeto muito paralelo ao de Símon Bolivar. Interessante como mesmo sendo um projeto utópico, não consigo deixar de evidenciar o seu realismo, a sua lucidez.

    Não pude ler o Euclides ainda.

  2. Pedro Vinícius Says:

    Martí impressiona com sua coragem ao assumir idéias tão contrárias as que estavam em voga em sua época. Se orgulha da miscigenação latino-americana e incentiva um pensamento original ao invés da importação européia ou estado-unidense além de desmitificar ambos. Incentiva sempre se apoiando no que acredita ser a virtude latino-americana preferindo até negar culturas estrangeiras.
    Acredita na burocracia para se governar e demonstra não estar apenas divagando. Denuncia a desvalorização da cultura latino-americana e fala que os que fazem isso é que são indignos e crê na união como a saída do marasmo latino-americano além de ser otimista com o futuro.

  3. Marcelo Says:

    Concordo com o Lucas a respeito do ponto de inflexão que representa o argumento de José Martí, ao menos no desenrolar deste curso, pois quanto à história latino-americana, não tenho a segurança necessária para fazer a afirmação. Acato também a necessidade da identificação dos elementos regionais para a construção de uma identidade própria. No entanto, não consigo deixar de desconfiar da crença de que os governos latino-americanos nada mais seriam do que “o equilíbrio dos elementos naturais do país”.
    Em primeiro lugar, o que Martí define por natural neste processo? Os povos autóctones? Se sim, não podemos deixar de lembrar da crítica colocada por Borges nesta busca pelas origens latino-americanas. Além disso, se assumimos que os elementos naturais não apenas emergem, mas carecem de uma significação por parte daqueles que constroem a identidade nacional, devemos nos colocar a questão de quem é autorizado a elevar ao status de natural da terra determinados elementos. Afinal, seria o negro ou o mestiço do sertão um elemento menos introjetado na América Latina que o europeu ou o criollo?
    Em segundo lugar, a questão da vitória do “homem natural” sobre o “livro importado” na batalha travada entre a falsa erudição e a natureza. Não consigo enxergar, no texto de Martí, as evidências necessárias para concordar com essa afirmação. Além de não justificar seu argumento com exemplos concretos, restringindo-os ao universo das letras e teorias – ao mundo do letrado que tanto critica – conceber este processo como terminado, concluído me parece errado. Além disso, a natureza do processo de substituição da letra pelo elemento natural leva a uma negação do elemento branco e europeu que também constitui a América Latina.
    Por fim, o mito da possibilidade da equação das diferenças desses ditos elementos naturais. Este argumento gira em torno da superação dos conflitos uma vez que o elemento externo – europeu – consegue ser superado. Após a tempestade e a turbulência advinda da retirada do câncer europeu, viria a bonança da vida harmoniosa dos países latinos, espaço onde o ódio de raças não existe, uma vez que este conceito não se aplicaria ao caso latino-americano. Embora o caráter progressista da declaração não possa ser negado, especialmente se levarmos em conta o debate em torno da raça realizado por seus contemporâneos, sentimos as conseqüências do mito de uma democracia racial até hoje, quando diversos intelectuais, polemistas e jornalistas advogam contra uma clivagem racial nos países latino-americanos, apedrejando políticas públicas de promoção de ações afirmativas.

  4. Gabriella Says:

    Euclides apresenta o sertanejo como dois homens em um só. Quasímodo em seu aspecto exterior e Hércules em seu interior. Apesar da figura desengonçada, torta e desarticulada – aspectos exteriores que muitas vezes relacionamos à fraqueza; o sertanejo é forte e corajoso. A apatia triste do sertanejo transforma-se em extremos e corajosos impulsos quando necessário. Percebe-se no sertanejo enunciado por Euclides da Cunha um certo determinismo do meio sobre o homem. Determinismo que influencia mais o exterior do que o interior do sertanejo. A dureza da caatinga e a impiedade da seca influenciam no aspecto feio e apático do sertanejo. Contudo, o interior mantêm-se como se protegido pela casca da exterioridade atingida. O sertanejo é torto e seco como a caatinga, mas seus sentimentos não são espinhosos e traiçoeiros como tal.

    Martí lança um discurso apaixonado e utópico em defesa da cultura latino-americana. Contrapõe-se à influência – ou imposição, se preferir – da cultura européia e à construção de uma identidade latino-americana baseada em tal influência. Chocando-se diretamente com pensadores como Sarmiento. Martí defende não só uma cultura autóctone, mas também um Estado pautado nesses valores naturais das sociedades latino-americanas. Esse Estado com fundamentação autóctone seria a base para o desenvolvimento.

  5. 09/49051 Says:

    Tanto Sarmiento quanto Euclides constroem uma argumentativa sobre as características do outro cultural baseada nos efeitos que a natureza provocam no homem, pela lógica do determinismo. No caso do gaúcho é interessante notar como as mesmas características naturais resultam no gaúcho argentino e no gaúcho brasileiro fatores opostos. O gaúcho argentino, ao se deparar com o deserto, as pampas, que são de grande extensão e pouco obstáculo, entra em estado de constante tensão, sempre ameaçado pelo perigo do desconhecido; sua vida é marcada então por um medo constante. Para sobreviver nesse espaço, ele aprende a se defender contra a natureza e sabe derrotar os mais perigosos animais. No caso do gaúcho brasileiro – de Euclides – os mesmos fatores naturais citados provocam nele um estado de felicidade e tranquilidade constante, a mesma natureza não atua de maneira tão hostil, ele é “afeito às correrias fáceis nos pampas e adaptado a uma natureza carinhosa que o encanta, tem, certo, feição mais cavalheirosa e atraente. A luta pela vida não lhe assume o caráter selvagem da dos sertões do Norte.”. A despeito da ambientação natural, o gaúcho de Sarmiento mais se parece com o sertanejo ao gaúcho “de vida fácil” de Euclides. Essa contradição serve para desmontar essa lógica determinista.
    Quanto ao sertanejo, embora Euclides afirme o tempo todo que se trata de um forte apesar da aparência raquítica, ele argumenta sempre em torno de uma preguiça constante, na qual o sertanejo é “um homem constantemente fatigado”, e toma uma atitude apenas quando necessário, somente quando não tem mais jeito de extender a preguiça, de alongar o descanso. Seria isso um homem forte? Um homem que só demonstra vigor quando necessário, quando obrigado pelas condições externas?

    No texto de Martí, a proposta de construir uma identidade nacional a partir de bases genuinamente americanas é interessante. Há até a proposta de estudar as civilizações antigas, pré-colombianas, como forma de entender as pecualiaridades da formação do povo americano, que serviriam de base para orientar políticas atuais. No entanto achei um pouco utópico essa proposta, não só pela inviabilidade de muitas das coisas que ele propõe, mas também pela inutilidade, já que isso pressupõe uma força das culturas autóctones que na verdade já foram destruídas parcialmente ou manchadas pela influência externa. É como se dessa maneira ele pretendesse não governar o povo americano de acordo com suas características peculiares atuais, mas resgatar uma época em que essas características eram puras.

  6. Joyce Says:

    Euclides da Cunha faz uma análise da vida no sertão descrevendo desde o aspecto físico do sertanejo até a religiosidade. A crença seria resultado da mistura entre raças: “o antropismo do selvagem, o animismo do africano e, o que é mais, o próprio aspecto emocional da raça superior, na época do descobrimento e da colonização”. O misticismo, o fanatismo religioso, o devotamento, a salvação única também seriam heranças: “Eram parcelas do mesmo povo que em Lisboa, sob a obsessão dolorosa dos milagres e assaltado de súbitas alucinações, via, sobre o paço dos reis, ataúdes agoureiros, línguas de flamas misteriosas, catervas de mouros de albornozes brancos, passando processionalmente; combates de paladinos nas alturas… procurava, ante a ruína iminente, como salvação única, a fórmula superior das esperanças messiânicas”; “os sertanejos, herdeiros infelizes de vícios seculares, saem das missas consagradas para os ágapes selvagens dos candomblés africanos ou poracês do tupi”. Relata os dois lados do sertanejo1) a extrema brutalidade 2) o máximo devotamento. 1) pervertida pelo fanatismo 2) transfigurada pela fé. Mostra os dois lados no texto, descreve cenas de tal forma que parece que o leitor está em frente ao acontecimento. Os missionários gravam os ensinamentos religiosos nos sertanejos. Estes aceitam os conselhos sem questionar e passam a segui-los cegamente. Euclides compara essa situação aos primeiros evangelizadores que impuseram a religião e fizeram de tudo em nome da missão de salvar almas. “alucina o sertanejo crédulo; alucina-o, deprime-o, perverte-o”. Euclides faz primeiro uma análise geral do sertão. Como é o lugar, o povo, a religião. Depois conta a história de Antônio Conselheiro com base na análise feita anteriormente. “o infeliz, destinado à solicitude dos médicos, veio, impelido por uma potência superior, bater de encontro a uma civilização, indo para a História como poderia ter ido para o hospício”. Parece que Euclides faz uma crítica aos historiadores que ajudaram a transformar um homem em um mito. Antônio Conselheiro é tido como o salvador, o herói do sertão. “para o historiador não foi um desequilibrado. Apareceu como integração de caracteres diferenciais — vagos, indecisos, mal percebidos quando dispersos na multidão, mas enérgicos e definidos, quando resumidos numa individualidade”. Ele parece criticar o personagem que surgiu por condensar todas as “aberrações católicas” numa crença mística de fanatismo. “Ele foi, simultaneamente, o elemento ativo e passivo da agitação de que surgiu”. Para quem acha que as pessoas não entendiam o dito messias , Euclides da Cunha tem a resposta na ponta da língua: “Não era um incompreendido. A multidão aclamava-o representante natural das suas aspirações mais altas”. A fé de quem acompanhava e acreditava em Antônio Conselheiro é explicada nos primeiros capítulos: a convergência entre a fé deles e a das outras “raças”, a facilidade de aceitar novas culturas e somar à deles. “Era o profeta, o emissário das alturas, transfigurado por ilapso estupendo, mas adstrito a todas as contingências humanas, passível do sofrimento e da morte, e tendo uma função exclusiva: apontar aos pecadores o caminho da salvação. Satisfez-se sempre com este papel de delegado dos céus. Não foi além. Era um servo jungido à tarefa dura; e lá se foi, caminho dos sertões bravios, largo tempo, arrastando a carcaça claudicante, arrebatado por aquela idéia fixa, mas de algum modo lúcido em todos os atos, impressionando pela firmeza nunca abalada e seguindo para um objetivo fixo com finalidade irresistível”. Ele foi o escolhido para salvar aquela gente e os sertanejos acreditavam fielmente que ele o faria.

  7. Grégory Says:

    Martí apresenta em seu texto uma defesa de valores que seriam naturais à América espanhola. Crítica a importação de valores e culturas européias, principalmente as formas de organização política. Acredita que para se desenvolver instituições locais é necessário basear-se na cultura local. O pensamento de Martí pode ser comparado a obra de Oliveira Vianna, “Instituições Políticas no Brasil” (acho que é esse o título), neste livro, descartando-se a crítica a maneira de exploração do país no período colonial e as marcas da colonização, que segundo o autor continuavam presentes sociedade brasileira, quando se analisam os partidos políticos e as instituições públicas, Vianna sempre crítica a má adaptação das instituições políticas no Brasil, o que sempre resulta num processo contínuo de precariedadade dessas instituições que não se compatibilizam com a realidade e com os interesses da população local, onde não é levado a forma de organização da população e essa assimila de maneira equívoca, o que só prejudica o processo de desenvolvimento do país. Forçando um pouco, para Vianna, a importação do regime democrático deu origem a formação da guarda nacional, o que resultou no coronelismo. Dessa forma, o problema da não adequação de instituições às realidades locais e naturais são apontadas por Martí e por Oliveira Vianna.

  8. Kaio Says:

    Martí fala com tanta veemência sobre a grandeza e o potencial do autóctone que há uma tentação irrestível do leitor em constatar que ele o idealiza e o superestima tanto quanto Sarmiento constrói um modelo perfeito de europeu civilizado.
    Há um tom prescritivo e quase maniqueísta em sua argumentação, como quando afirma que “Só aos deficientes faltará a coragem. Os que não acreditam em sua terra são homens deficientes” e “É por isso que o livro importado foi vencido, na América, pelo homem natural. Os homens naturais venceram os letrados artificiais”.
    É preciso compreender Martí e seu contexto histórico, que envolvia o tardio processo de independência cubano. Há um pouco de “conceito antropológico de cultura” quando fala que cada país deve ser governado de acordo com suas particularidades. Reafirmar a soberania nacional e o sentimento de pertença são, portanto, caminhos costumeiramente seguidos por muitos intelectuais em situações como esta, e o poeta não foi exceção ao dar esta guinada para um nacionalismo de esquerda.
    Porém, isso não o impede de ser questionado por resgatar de maneira tão ortodoxa o mito do bom selvagem de pensadores como Rousseau. Valorizar o jeito prático e aguerrido do autóctone já é vê-lo de uma maneira artificial – e européia, afinal é repetir a postura contemplativa e nativista dos românticos franceses e alemães.

    Quanto a Euclides da Cunha, ele representa bem o mix de influências teóricas que marcou a “escola” do Pré-Modernismo. As suas, digamos, prediletas são as positivistas e evolucionistas. Ele procura justificativas biológicas para o caráter do sertanejo e o entendimento de Canudos, e comparações até com “somas algébricas” não são raras.
    Seu estilo mescla elementos realistas e naturalistas, e é densamente descritivo.
    Uma passagem que denota o ‘tipo ideal’ que Euclides cria sobre o sertanejo fica evidente na seguinte passagem: “Passam-se meses. Acaba-se o flagelo. Ei-lo de volta. Venceu-o a saudade do sertão. Remigra. E torna feliz, revigorado, cantando; esquecido de infortúnios, buscando as mesmas horas passageiras de ventura perdidiça e instável, os mesmos dias longos de transes e provações demoradas.”
    Cria-se a impressão de que o autor ‘pinta’ uma imagem heróica e trágica do sertanejo, a despeito de todo o seu rigor científico. Ou seja, embora ele não seja tão condescendente com Conselheiros e seus seguidores, há claro enaltecimento da persistência e resistência do homem do Sertão, como se seu meio determinasse que ele fosse bravo e capaz de vencer todas as adversidades que encontrasse.

  9. Joyce Says:

    Martí defende uma identidade mestiça latino-americana. O texto tenta resgatar a cultura de forma, muitas vezes, utópica. “Éramos uma visão, com peito de atleta, mãos de janota e cara de criança. Éramos uma máscara, com as calças de Inglaterra, o colete parisiense, o jaquetão da América do Norte e o chapéu da Espanha. O índio, mudo, andava ao nosso redor e ia para a montanha, para o cume da montanha, para batizar seus filhos. O negro, policiado, cantava na noite a música de seu coração, só e desconhecido, entre as ondas e as feras. O camponês, o criador, revoltava, cego de indignação, contra a cidade desdenhosa, contra as suas criaturas. Éramos dragonas e togas, em países que vinham ao mundo com alpargatas nos pés e fitas na cabeça. Teria sido genial irmanar a caridade do coração e a ousadia dos fundadores, a fita e a toga; desestagnar o índio; ir dando espaço ao negro suficiente; adaptar a liberdade ao corpo dos que se levantaram e venceram por ela”. Como foi citado, as idéias de Martí são opostas às do Sarmiento. Ao mesmo tempo, a forma de defender o pensamento é bem parecida.

  10. -'- Says:

    VAAUN TOMAR NO CÚU !! VIADOOS , TDS ERRARAAM -.-

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