Aula 18b – Oswald

Gente,

Segue abaixo a apresentação de Oswald feita pelo Marcelo. Gostei muito.

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Oswald encontra sua brasilidade no exterior

Oswald de Andrade é ainda um filho do século XIX (nasceu em 1890), mas que ingressa no ambiente das letras apenas no século XX. Filho de uma família paulista abastada e letrada (Oswald é sobrinho do escritor Inglês de Sousa), não se furtou a utilizar-se dos recursos familiares para fins profissionais. Advogado, dedica-se à profissão de jornalista desde antes de ingressar na Faculdade de Direito, e participa intensamente dos debates intelectuais e políticos da época. Faz parte da campanha civilista de Ruy Barbosa em 1911 e defende Anita Malfati das criticas de Monteiro Lobato em 1917/1918. Faz parte da primeira geração de modernistas brasileiros, juntamente com Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e Di Cavalcanti.

O Manifesto Pau-Brasil foi primeiramente publicado no Correio da Manhã de 1924, mesmo ano do Manifesto Surrealista de André Breton. Creio que qualquer semelhança não é mera coincidência. Oswald e Breton se encontram em meio ao mesmo ambiente intelectual de uma Paris pós-guerra ávida por reinvenções. A distância da terra parece ter despertado a brasilidade em Oswald de Andrade, uma brasilidade um tanto específica, deve-se dizer, manifesta à partir de Paris (no “umbigo do mundo”) e viabilizada por um suíço (Blaise Cendrars, artista plástico).

Nas palavras de Paulo Prado, prefaciador do livro “Pau-Brasil: “Oswaldo de Andrade, numa viagem à Paris, do alto de um ateliê da Place Clichy – umbigo do mundo – descobriu, deslumbrado, a sua própria terra”. O projeto de Oswald, ou melhor, o projeto modernista condensado na perspectiva de Oswald, visava abolir a grandiloqüência e a seriedade da produção literária brasileira. Para isso, nada melhor do que buscar as raízes da brasilidade “nos verdes da favela”, “no carnaval do Rio”, na Riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança.”

Além de um projeto visando a um estabelecimento do futuro, podemos identificar paralelamente uma tentativa de releitura/reescritura do passado, sobretudo a história brasileira, agora sob um viés poético, com linguagem coloquial, sintética e bem humorada. É interessante notar a perspectiva idílica do Brasil retratada pelo manifesto Pau-Brasil. Representaria isso um sintoma da nossa construção identitária? Curioso também é o fato da necessidade da distância para o resgate das origens, um resgate que critica acidamente o passado. Além disso, por que Oswald de Andrade, um letrado, abastado, auto-exilado, seria diferente de todos os outros letrados que passaram por este blog e pela história literária latino-americana?

O Manifesto Antropofágico é publicado 4 anos mais tarde, na “primeira dentição” da recém-fundada Revista de Antropofagia. O manifesto faz uma irônica alusão a um episódio não muito tratado na História do Brasil: o naufrágio do navio em que viajava um bispo português, seguido da morte do mesmo bispo, devorado por índios antropófagos.

Mais uma vez , o maior número de influências vêm do exterior. De Marx a Breton, passando por Freud, Picabia, Rousseau e Montaigne, o manifesto importa um grande número de conceitos. A importação, entretanto, não se pretende literal. Importamos, mas inovamos, digerimos, absorvemos. Não se trata mais de um processo de assimilação harmoniosa,  como alude o Manifesto Pau-Brasil – uma união das virtude de dois pólos – gerando uma poesia que sintetiza e valoriza o elemento nacional, e que influencia também o exterior; uma poesia de exportação. Trata-se de uma absorção violenta do elemento externo, e do uso de suas virtudes para enriquecer o nosso; e informar o outro. A dimensão do conflito é então inserida, representando uma quebra na tradição ao retratar o brasileiro como elemento também agressivo e não facilmente passível de “impressão” de caracteres alienígenas. Esta reescritura opera tanto na dimensão do passado, como nas ações presentes dos intelectuais modernistas. Em síntese, os manifestos se aproximam no que concerne a crítica e reinvenção da memória. Os meios para esses fins são, contudo, distintos.  Diferenciam-se portanto no tempo contemporâneo, nessa dimensão dos processos e dos conflitos para a reinvenção da brasilidade.

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Uma resposta to “Aula 18b – Oswald”

  1. luhh oliveira Says:

    eitxaaa… Até que ele era gatxinhoo :P

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