Aula 08 – Caminha e Palácios

Pero V. de Caminha

Para quinta-feira, leremos dois textos: a Carta e o Requerimento. O primeiro vocês conhecem: aquela carta de Pero Vaz de Caminha sobre os “bons ares frescos e temperados” do novo continente. Ela pode ser baixada aqui. Como a Carta é um tanto redundante, podem ler apenas os seguintes parágrafos: 10-14, 17-39, 50-52, 66-69, 83-95 e 99-104.

Quanto a seus posts, eu estaria particularmente interessado em ver desenvolvidas linhas de leitura como essas que seguem:

  • Como Caminha interpreta gestos dos indígenas e como interpreta seu próprio ato de interpretação?
  • Como Caminha percebe – ou, melhor, constrói – a interioridade desses índios com os quais sequer trocou palavras? Como percebe a subjetividade deles? Que sentido extrai de seus gestos? O que ele quer desses indígenas e que potencial percebe neles?
  • Como a palavra “penetração” pode, em todas os seus múltiplos significados, ser aplicada ao discurso de Caminha no que diz respeito aos vários temas que discute: da agricultura à religião, da sexualidade à Coroa? (Sei que a pergunta é vaga, mas prefiro que vocês explorem isso de forma menos direcionada.)
  • Segundo a Carta, que tipos de estratégias os Portugueses adotam em seus primeiros encontros com os indígenas. O que querem evitar? O que querem fomentar?

Já o Requerimiento é um dos maiores engodos jurídicos e uma das maiores cretinices políticas da história. Escrito em 1512 por Juan López de Palacios Rubios, jurista e conselheiro do Rei Fernando da Espanha, o texto foi uma resposta à observação de que o massacre de índios poderia ser em contra dos princípios cristãos. A solução encontrada foi simples: redigir um texto que dava aos nativos uma última chance de acatar a soberania e reconhecer a autoridade dos reis castelhanos – e da Igreja que, por meio das bulas Inter caetera do papa Alexandre VI, colocara novo mundo sob a jurisdição espanhola.

 

Os conquistadores costumavam ler o Requerimiento antes de atacar os índios. Um exemplo típico da literatura de justificação elaborada para legitimar os procedimentos dos agentes metropolitanos nas colônias, o texto enfatiza que os nativos devem submeter-se ao rei e ao papa ou enfrentar a espada. Ademais, atribui qualquer violência que estes porventura venham a sofrer à maliciosa recusa em acatar as razoáveis exigências espanholas ou mesmo a demora em manifestar tal aceitação. Tradicionalmente, o texto era lido em voz alta. Depois de um escrivão registrar a leitura, começava a chacina dos desobedientes.

 

Há, entretanto, dois detalhes. O primeiro é que o Requerimento costumava ser lido de dentro dos navios para índios que estavam na praia ou do alto de colinas para índios que se agrupavam em vales próximos. Os espanhóis, afinal, tinham melhores armas de longo alcance e não queriam iniciar a batalha com o combate corpo-a-corpo. O segundo detalhe é que o Requerimento era lido em Espanhol ou Latim – idiomas que os indígenas desconheciam. Ou seja, mesmo quem conseguisse ouvir a fala espanhola a centenas de metros de distância tinha uns cinco minutos para aprender os idiomas do rei e do papa – ou morrer.

 

Não é por acidente que o frade Bartolomeu de las Casas descreveu o Requerimiento como “uma farsa da verdade e da justice e um grande insulto a nossa fé cristã e à piedade e caridade de Jesus Cristo, sem qualquer legalidade”. Mesmo assim, o texto – que você pode acessar aqui em espanhol – foi usado para justificar o massacre e a escravização dos índios até 1556.

11 Respostas to “Aula 08 – Caminha e Palácios”

  1. Gabriella Says:

    A visão eurocêntrica e civilizatória domina totalmente o texto. A inferioridade cultural dos índios é tamanha que estes nem mesmo conseguem se comunicar. Os índios não são capazes de entender ou transmitir mensagens aos portugueses. Esqueceu-se de mencionar que os portugueses também não possuíam tal habilidade de compreender e se fazer compreender. A incapacidade dos indígenas é primitivismo e barbárie, a dos portugueses é superioridade. Contudo, Caminha julga-se capaz de compreender as ações, gestos e até mesmo os pensamentos dos indígenas. Tudo devido à sua capacidade extraordinária, já que os índios não facilitavam a comunicação. O “pardos” eram tão “ingênuos” e primitivos que além de não conseguirem se comunicar, não possuíam crenças, tampouco sistema econômico ou político. O antroprocentrismo europeu parece cegar Caminha aqui. A crença, a política e a economia que existem são as praticadas pela sociedade européia. O “resto” é barbárie, primitivismo, ingenuidade.

    O contato inicial, descrito por Caminha, entre o “homem branco” e o indígena talvez seja o primeiro escambo entre índio e português no território brasileiro. As trocas evoluíram rapidamente, tornaram-se a base do relacionamento colonizador, e era apenas isso que interessa aos portugueses -comércio. O escambo, o ouro, a prata; o sonho do capitalismo metalista que demorou a se concretizar no Brasil, apesar das “previsões” de Caminha que via desde o primeiro momento, nas atitudes mais inócuas, sinais da presença de metais preciosos.

    A leitura de um texto incompreensível, o Requerimento, aos índios legitima sua morte, são condenados por sua incompreensão e ignorância, a maior culpa : não serem europeus. Uma condenação antropológica, fundamentada pela igreja e pelo estado europeu,, impassível de questionamentos ou condenações. De novo, o problema da comunicação está apenas de um lado, nos indígenas. Caminha afirma que o melhor fruto dessa “ nova terra” será “salvar essa gente”; mesmo que isso signifique massacre, escravidão, imposição cultural, derrmação. Belo jeito de salvar um povo e começar um país.

  2. Murilo Says:

    O relatório feito por Juan López de Palácios ao rei espanhol destaca a agressividade que a Espanha estava disposta a utilizar para conquistar as terras do Novo Mundo, pois ansiava reerguer-se como potência mundial e, para isso, necessitava de materiais valiosos (ouro, prata, …). É muito importante destacar que alguns historiadores da época acreditavam que a América era o Eldorado, lugar o qual prometia fortuna aos descobridores.
    A carta de Pero possui uma qualidade litrária. A descrição dos hábitos e expressões indígenas no descobrimento faz-nos viajar pelo paraíso o qual o Brasil é descrito. Belos índios, muita ingenuidade, amor. Os nativos americanos são descritos com características medievais, românticas. Sinto uma ligeira aproximação da Terra da Vera Cruz com a Terra dos Teletibbies, onde o sol brilha, sorri e a harmonia reina. Obviamente, isso não passa de um jogo de interesses. A Coroa portuguesa necessitava fazer com que seus súditos burgueses diminuíssem as tensões geradas pelo encarecimento das especiarias que vinham via Itália e apresentar-lhes uma terra abundante de recursos. Tanto é que, após a colonização e necessitando de mão-de-obra escrava para os engenhos, as cartas enCAMINHAdas à metrópole, apresentava o índio como um ser monstruoso, bélico, a fim de legitimar sua escravidão perante a Igreja Católica representada pelos jesuítas.
    Os portugueses, com o intuito de pesuadir os índios, adotaram estratégias de perfil psicológico. A dominação foi sendo feita e maneira consciente pelos manoéis e inconsciente pelos potis, já que estes não conheciam a cultura daqueles e a língua e os costumes representavam uma barreira no conhecimento mútuo. A imposição religiosa, por exemplo, foi feita a partir de um artifício muito falso, quando o capitão manda alguns dos tripulantes simular uma adoração ferrenha pela cruz, beijando-a. Os europeus queriam transpassar de si uma idéia de um povo honesto, irmão, sincero. Evitavam gestos agressivos uns com os outros. Podiam fomentar nos índios, assim, a ingenuidade de pôr à vista o seu próprio o seu próprio território indicando a existência de metais preciosos.
    Os portugueses penetram no território brasileirocom o intuito claro de explorá-lo. Explorar não só no sentido material, mas também no sexual. Vocês podem achar que estou escrevendo besteira, mas não é verdade. Recordo-me que em outras cartas, Caminha descreve minuciosamente a genitália das índias – desprovidas de pêlos e limpas. Não era para menos, pois estavam acostumados com as mulheres européias que não possuíam um mínimo de higiene. Por fim, a penetração apareceu em todos os sentidos.
    Mesmo Caminha idealizando um pouco as novas terras – alvez pela alegria de tê-las encontrado – , gosto de ler as cartas que ele escrevia, pois instiga-me saber as reações do encontro de duas civilizações que não sabiam da existência uma da outra. Os mistérios que um povo sentia em relação ao outro é algo inimaginável para pessoas, que como eu, cresceram num mundo já globalizado e com todas as culturas descodificadas numa página virtual da Wikipédia.

  3. Pedro Vinícius Says:

    É incrível a ingenuidade de Caminha ao acreditar que compreendeu toda a cultura indígena após o pouco tempo de contato que teve e ao acreditar que estão dominando os índios o tempo todo em que passam com eles. Caminha interpreta os índios como se esses fossem animais que precisassem ser domesticados e que quisessem ser dominados. Não percebe a desconfiança dos índios e supõe bobagens por falta de reflexão, como se tudo se resumisse ao que ele viu ou que os índios mostraram. Fala das moças que não têm vergonha de andarem nuas, mas não se envergonha de descrever sua nudez. Mas o que achei mais engraçado foi os portugueses ensinando os índios a beijarem a cruz, como se isso atestasse que seriam facilmente “salvos” e mais ainda: como a idéia que ele tem de cristianismo é limitada.
    Já “O Requerimento” é algo tão absurdo que parece piada de português. Ler algo pra um povo que não entende o que está sendo lido e ainda dizer que terão o tempo que precisarem pra pensar sobre isso e se não aceitarem serão mortos já é demais. A cereja em cima é a assinatura do escrivão atestando que “O Requerimento” foi lido para provar que os massacrados tiveram chance de se salvar. Não sei o que dizer sobre isso.

  4. Anônimo Says:

    É nítido nos dois textos a noção dos colonizadores de que a cultura deles é superior às culturas encontradas nas Américas, seja por características religiosas, vestimentas, alimentação e outros. Na carta de Caminha, ele trata o nativo como boa pessoas, que, apesar dos primeiros encontros serem cheios de desconfiança, depois os nativos são caracterizados como boas pessoas, que se entregam fácil (“como se fossem mais amigos nossos do que nós seus” parágrafo 88), que atribuem fácil os valores dos portugueses em exemplos de com eles se comportaram durante as missas em volta da cruz e nos momentos em que caminha menciona que o snativos logo seriam cristãos. A partir disso, já fica claro o pretexto dos colonizadores portugueses em dominar, explorar as novas terras, utilizando como pretexto a catequização dos nativos, a necessidade disso, pois eles seriam povos sem crenças, e necessitariam do crisitianismo. Em comparação com o “Requerimiento”, esse seria um ponto em comum aos dois textos, a necessidade de catequizar. No caso do “requerimiento” a catequização vai ser utilizada independente da aceitação ou não dos nativos, é um discurso de teor bem mais agressivo e impositivo. No caso dos colonizadores portugueses, aqueles elementos já pontados anteriormente, em que os nativos, são bons, ingênuos, atribuem os valores cristãos, permitem uma interpretação de que os portugueses não colonizarão de maneira tão impositiva quanto espanhóis, por conta da forma como os nativos de terras brasileiras assimilavam a cultura dos colonizadores. De certa forma, comparando os dois textos, se o que está na carta for verdade, permite-se a indagação se as diferenças na froma de colonização estão no colonizadores ou nos colonizados?

  5. Grégory Says:

    É nítido nos dois textos a noção dos colonizadores de que a cultura deles é superior às culturas encontradas nas Américas, seja por características religiosas, vestimentas, alimentação e outros. Na carta de Caminha, ele trata o nativo como boa pessoas, que, apesar dos primeiros encontros serem cheios de desconfiança, depois os nativos são caracterizados como boas pessoas, que se entregam fácil (“como se fossem mais amigos nossos do que nós seus” parágrafo 88), que atribuem fácil os valores dos portugueses em exemplos de com eles se comportaram durante as missas em volta da cruz e nos momentos em que caminha menciona que o snativos logo seriam cristãos. A partir disso, já fica claro o pretexto dos colonizadores portugueses em dominar, explorar as novas terras, utilizando como pretexto a catequização dos nativos, a necessidade disso, pois eles seriam povos sem crenças, e necessitariam do crisitianismo. Em comparação com o “Requerimiento”, esse seria um ponto em comum aos dois textos, a necessidade de catequizar. No caso do “requerimiento” a catequização vai ser utilizada independente da aceitação ou não dos nativos, é um discurso de teor bem mais agressivo e impositivo. No caso dos colonizadores portugueses, aqueles elementos já pontados anteriormente, em que os nativos, são bons, ingênuos, atribuem os valores cristãos, permitem uma interpretação de que os portugueses não colonizarão de maneira tão impositiva quanto espanhóis, por conta da forma como os nativos de terras brasileiras assimilavam a cultura dos colonizadores. De certa forma, comparando os dois textos, se o que está na carta for verdade, permite-se a indagação se as diferenças na froma de colonização estão no colonizadores ou nos colonizados?

  6. Joyce Says:

    A narrativa impressionista de Caminha deixa registrada a visão sobre a fauna, a flora e o modo de vida dos índios. No primeiro contato, Caminha descreve a troca de objetos feita pelos nativos e pelos portugueses. Procura descrever os índios e elogiar a boa forma física, a beleza e a inocência deles. Esta última característica fornece elemento para a construção do índio “bom selvagem”. Os índios demonstraram, na maioria das vezes, hospitalidade e cordialidade para com os portugueses. Caminha descreve os índios e o local minuciosamente. Faz da carta, um relato etnográfico.

    Os desejos dos portugueses são refletidos na interpretação que fazem dos gestos dos índios. Não entendiam a língua, logo, traduziam os gestos dos índios da maneira que eles queriam que fosse. No navio, Caminha descreve uma cena curiosa em que os índios apontavam para objetos, depois apontavam para a terra deles. Com isso, Caminha deduziu que o que apontavam era o que tinha na terra, como ouro e prata. Os metais preciosos sempre foram de grande interesse dos portugueses nas viagens de descobrimento. Outro episódio é a imitação dos gestos dos portugueses durante a missa. Eles julgavam que os índios estavam aceitando a fé cristã e que não seria difícil convertê-los ao cristianismo.

    Caminha escreve sobre as atitudes “estranhas dos índios”, como de não cumprimentar o capitão (que estava pomposamente sentado em uma cadeira sobre um tapete para recebê-los) ao adentrarem no navio. De dóceis nativos passaram a ser selvagens. O escrivão afirma que os índios eram ariscos por não se comportarem dentro dos padrões europeus. Chamou-os de gente bestial e de pouco saber, é o desprezo pelos povos não europeus e não cristãos. Por isso, os portugueses deveriam amansá-los. Uma vez amansados pelos portugueses, seriam “bestialmente” explorados, assim como os espanhóis também o fizeram.

    Não encontraram, na primeira expedição, produtos que eram valorizados na Europa. Mas Caminha propõe maneiras de aproveitar o território e os habitantes: Agricultura – “dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem” e Expansão do Cristianismo – “o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente”.Os primeiros passos para a dominação portuguesa. Na interpretação dos autores Janaína Amado e Luiz Carlos Figueiredo (documento 6 de Brasil 1500, quarenta documentos) “ o futuro importava e foi com o olho no futuro que Caminha escreveu sua carta”.

    No requerimento à monarquia espanhola, Juan López, relata a dominação espanhola dos povos conquistados. A soberania dos reis e do papa, a submissão dos outros povos. Coloca como se os povos dominados tivessem que passar por aquilo e obedeciam aos espanhóis sem resistência alguma. Como se tudo tivesse sido lindo, alegre, comemorando a nova vida de subordinação que teriam daí para frente. Ao mesmo tempo, diz que se tivesse resistência, haveria morte. Mas não deviam sentir culpado por isso porque os povos dominados que queriam assim.

    Nos dois textos pode-se perceber a imposição da cultura e religião. Juan López vai direto ao assunto. Caminha faz rodeios. Usa uma linguagem mais poética para dizer o que quer. Juan López fala em nome de Deus e da Igreja. Caminha pede que o rei de Portugal salve os selvagens tornando-os cristãos. Os costumes dos donos das terras eram apagados. A lei válida era a dos dominadores e quem achasse ruim era eliminado. Um jogo sujo feito pelos povos dominadores na busca da expansão de terra e economia.

  7. Marcelo Says:

    Num primeiro momento posterior à leitura dos dois textos, a charada parece estar resolvida. Enquanto o aspecto do conflito é ressaltado na colonização espanhola, a dimensão do estranhamento e da coexistência pacífica se estabelece na América portuguesa. Obviamente, esta é uma interpretação imprecisa, pois embora próximos cronologicamente (sobretudo se tomarmos o horizonte temporal de hoje), representam momentos distintos da relação entre nativos e europeus. No caso da carta de Pero Vaz, trata-se de uma exploração inicial de um território e de povos recém-descobertos (mesmo se tomarmos a viagem de Cabral como uma formalidade para a posse do Brasil pelo governo português. Já o Requerimiento diz respeito a um momento posterior, de aumento das tensões entre europeus e nativos. De toda forma, é interessante observar como a memória dos dois processos colonizatórios é construída. Ainda que não sejam as únicas fontes de informação a respeito das circunstâncias da época, representam essas localidades em um tempo quase imemorial e pouco disputado simbolicamente. Acabamos, portanto, com dois estereótipos que precisam ser trabalhados.

  8. robertinha Says:

    ameiiiiiiiiiii!!!!!!!!!! craniossssssssssss!!!
    meu trabalho vai bombarrrrrrrrrrrrrrr gracas a vcssssssssss!! vou fechar!@!!!!!!
    amo vcssssssssss

  9. carla Says:

    nossa que coisa chata e ridicula odeio historia

  10. natalia perera Says:

    como aconteceu o contato dos indios com os portugueses como os indios se comportaram

  11. Andy Cordeiro Says:

    Leia o livro: Dos primeiros cronistas aos últimos românticos, de L Roncari – 1 capit.. É claro e bastante interessante.

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