Aula 02 – J.R. Guzzo

Para quinta-feira, leremos o texto “Falando Difícil” de J.R. Guzzo, que pode ser acessado aqui.

Algumas questões a manter em mente durante a leitura são: O que Guzzo critica em no artigo? Você concorda com a crítica? Ela é válida? É útil? Há algum perigo nela? Aliás, como você descreveria a perspectiva dele sobre a linguagem: expressiva, libertária, repressora, prescritiva?

Também, como Guzzo relaciona essa perspectiva com questões como educação e conhecimento? Há alguma contradição entre o que ele diz a respeito da linguagem e o que ele faz com as palavras? Há conseqüências políticas ou epistemológicas no que ele diz?

Mais umas perguntas: se consideramos que todo valor, toda idéia, toda crença humana é expressa não tanto por quanto em palavras – qual seria a conseqüência social ou cultural de excluir certos termos do vocabulário corrente ou de condenar o uso dos mesmos?

O que pode ser dito sobre a crítica de Guzzo no que diz respeito à autoridade? Ou, em outros termos: quem deve decidir quais palavras podem ou não ser usadas, quando podem ser usadas? Alguém deve decidir isso?

Outra linha de indagação: como você, pessoalmente, identifica o jargão – a palavra sem sentido? Quais os critérios que usa para distinguir o que é “mau uso do português” de termos legítimos ou necessários? É possível fazer essa distinção sem antes abordar (não gosto do termo, prefiro o “engage” do Inglês) os termos usados – sem perguntar se aquela palavra denota ou conota algo que seria perdido se outra fosse usada?

PS – As perguntas são apenas incentivos, tentativas de provocar seus comentários – que são livres.

 

10 Respostas to “Aula 02 – J.R. Guzzo”

  1. Murilo Nascimento Salviano Gomes Says:

    Achei interessante a abordagem deste tema por Guzzo, embora não concorde plenamente com ele. Estou de acordo com Guzzo que o uso exagerado de uma linguagem rebuscada pode significar uma ineficiência no processo da fala em determinadas ocasiões, além de, muitas vezes, fazer transparecer um verniz cultural arrogante, como os usos de superlativos por José Dias do romance “Dom Casmurro” de Machado de Assis.
    É claro que o uso errôneo da língua portuguesa deve ser banido, mas não podemos obstruir a construção de novas palavras, termos e expressões, como ele tentou fazer ao repreender a linguagem de alguns políticos. O nosso vocabulário está sempre em expansão, não podemos limitá-lo, nem censurar quem o reproduz, pois, se assim fosse, ainda estaríamos grunindo como os homens pré-históricos ou, para aproximar o tema da atualidade, o movimento modernista iniciado em 1922 não teria vingado, já que este pregava e consumava a reconstrução da linguagem.

    PS: Andrei, espero ter correspondido corretamente com o comentário.

  2. Tajla Medeiros Says:

    O texto de J.R. Guzzo é centrado em uma interessante crítica sobre os jargões utilizados na política. Ele sinaliza para a intenção dos falantes dessas gírias de parecerem eruditos, como é percebido no título e em vários momentos irônicos do texto. Segundo ele, no entanto, esse vocabulário repleto de palavras inventadas e que não constam no dicionário nada mais é que um mau uso do português e uma corrupção da linguagem.

    A Língua é dinâmica e a construção de novos vocábulos e expressões é inevitável. No entanto ninguém pode acordar um dia e decidir por conta própria que “escandalização do nada” é o novo “tempestade em copo d’agua”. Acredito que o autor considerou tal fator dinâmico da Língua, mas atenta para o fator não tão dinâmico assim: a Língua é um código convencionado, e não é à toa: é para que as pessoas possam se entender em um código previamente selecionado, em que cada palavra possui uma significação de entendimento comum. Então, se um ministro decide falar com outro político sobre uma referência fundante. tudo bem. Certamente a política tem direito a seu próprio vocabulário repleto de jargões. Mas ao falar em público, ao povo que te elegeu, a quem interessa suas atitudes e planos futuros, falar em português claro é sempre a melhor opção. Porque senão fica naquela, eles fingem que explicam e a gente finge que entende – o que parece ser a intenção de expressões como “escuta social orgânica articulada” -.

  3. Andrei (para dar um exemplo) Says:

    Bons, seus comentários. Fico esperando se chega algum outro.

  4. Pedro Vinícius Says:

    Acho complicado assumir essa postura que o texto propõe contra a invenção de palavras, porque acredito que elas vão surgindo no discurso do indivíduo naturalmente, sem um planejamento maior. Não creio que sejam as pessoas que não sabem se expressar que venham a ser o exemplo pro futuro, mas sim que elas acabem sendo esquecidas. Vi no texto apenas uma provocação politica ao PT, que o autor quer mostrar como um partido incompreensível.

  5. Kaio Says:

    Antes de mais nada, devo dizer que gostei do texto.
    Um dos pontos que torna o artigo de Guzzo interessante é a reflexão de que este “fenômeno” do falar difícil vem se disseminando não só entre a classe política, como também em diversos outros setores da sociedade. Se, por um lado, é uma tentativa (malfadada, aliás) de erudição, constitui-se, também, em um pedantismo irritante, que se preocupa mais em utilizar um vocabulário espalhafatoso e pretensioso do que buscar a compreensão do(s) interlocutor(es). Por exemplo, o famigerado juridiquês.
    Concordo com o ponto de vista de Doris Lessing citado no último parágrafo (“Quando se corrompe a linguagem, se corrompe, logo em seguida, o pensamento.”); isto lembrou-de de uma discussões lançadas por 1984 (George Orwell), em que se alerta para o fato de que a manipulação do vocabulário precede uma manipulação dos próprios fundamentos da sociedade, pois interfere em como as pessoas expressam (ou mesmo concebem) suas idéias.
    Rebuscamento e erudição são ferramentas extremamente pertinentes se bem usadas; quando distorcidas, são apenas algo dispensável na linguagem de “professores, do primário à universidade, artistas, profissionais liberais, cientistas, escritores, jornalistas”…

  6. j.r.guzzo Says:

    Caros amigos,

    Em primeiro lugar, muito obrigado pelos comentários generosos. É sempre um grande estímulo ver em debate alguma idéia que a gente tentou expor; e uma grande satisfação notar que há opiniões coincidentes em relação ao que se escreveu.
    Gostaria de esclarecer que não tenho e jamais tive a mais remota intenção de sugerir que essa ou aquela palavra ou expressão tenham a sua utilização proibida, regulamentada ou restrita de qualquer forma que seja. Deus me livre — cada um que fale e escreva como quiser. Se o artigo deixou essa impressão, foi por falta de clareza do autor.
    Não creio que o texto seja parcial na crítica ao PT; menciona-se ali, expressamente, as depredações que a língua portuguêsa sofre no falar e no escrever de empresários, altos executivos, juristas, legisladores, burocratas —- e registra-se que os balanços das grandes sociedades anônimas, publicados na imprensa, são particularmente obscuros.
    De novo, agradecimentos a todos.

  7. Andrei Says:

    Como apaguei o aviso emergencial, queria reiterar nosso agradecimento ao Guzzo por participar do blog da disciplina e reiterar o convite para que – estando em Brasília – dê uma passada na FAC para nos visitar e conversar sobre esse artigo e sobre e a relação entre escrita e sociedade em geral.

  8. Emanoela Says:

    Em primeira instância, fica claro que o autor do texto pretende, ainda que sutilmente, desmoralizar e desqualificar personalidades de grande importância no cenário político brasileiro, classificando-os como deturpadores da linguagem por meio de vernáculos “inventados”. Ainda que seja uma invenção, é evidente que o entendimento se faz a partir de uma conjuntura de fatores, existem inúmeras palavras que de fato não constam dos dicionários, e no entanto já fazem uso corrente e inteligível na linguagem popular. Selecionar trechos de uma conversa que não se conectam a um pensamento global do assunto, a meu ver, é meramente especulativo e tendencioso. No ponto em que o autor diz que o presidente Lula “vive se orgulhando de não ler livros” eu corrijo: Ele vive se lamentando. É bem diferente e mostra o quanto este texto utilizou técnicas mass media para tratar de um assunto tão sério, impingindo rótulos que Rajagonapalan desenha muito bem em seu texto “Fenômeno da designação em textos midiáticos”.
    Por outro lado, entendo que o autor procurou ilustrar o “mau uso do português” com os exemplos apresentados, exemplos infelizes é claro. É evidente que a linguagem e a comunicação se estabelecem por meio de um código, mas há também que se lembrar que em toda a comunicação (esquema de comunicação de Jakobson), existem ruídos que alteram o entendimento e a percepção daquilo que se tentou transmitir e não acredito que as falhas de comunicação se estabeleçam pelo código isoladamente, mas por uma série de fatores que justificariam o não entendimento ou como queira dizer “corrupção da linguagem”. Aliás, sobre a referência que o autor faz a Doris Lessing, eu gostaria e me proponho a conhecer mais sobre o que a autora diz sobre “corrupção da linguagem”, pois mais uma vez, o autor utilizou apenas um fragmento do pensamento da escritora que acredito, não se contextualizou em totalidade ao assunto abordado por Guzzo.

    O posicionamento geral do autor demonstra idéias prescritivistas, desejoso de que a língua seja estabelecida por regras e normas, desconsiderando a capacidade intelectual e produtiva da população, no entanto, acredito que se o viés do autor fosse mais propenso a esclarecer a falta de clareza em jargões, ele teria sido mais claro sobre o tema que se propôs a explorar, bebendo em outra fonte. Um exemplo recente, da falta de clareza, aconteceu no Supremo Tribunal Federal, quando da votação sobre o direito a pesquisas com células troncos. Depois de quatro horas lendo o seu voto, o ministro Ayres, teve que responder a pergunta: Mas é sim ou não o seu voto, Sr. Ministro?
    Bem, a falta de clareza se estabelece por fatores diversos, o ministro deve ter utilizado verbetes do conhecimento de todos os outros ministros, no entanto o que não foi inteligível foi o seu pensamento, e não um ou outro trecho de seu voto. O que neste caso, corrobora com a idéia de problema prático em entender “o que se diz e o que se escreve”.

  9. ivett Says:

    Texto de J.R.Guzzo – Falando Difícil

    O autor, no que parece ser uma crônica atual publicada em jornal, faz uma crítica ao uso de palavras e expressões difíceis que complicam a comunicação, a transmissão
    das idéias e deturpam a língua portuguesa. …”estão criando confusão na língua portuguesa e raramente isso resulta em alguma coisa boa…” O autor cita diversos políticos
    atuais, Dilma Rousseff com “escandalização do nada”, Gilmar mendes com “espetacularização”, e cita diversas outras palavras da preferencia dos políticos. Tarso Genro
    com “referência fundante” etc. “As pessoas acham que esse palavreado as tornam mais inteligentes ou mais profissionais.”

    “O mau uso do português resulta em diversos problemas de ordem prática, o primeiro dos quais é entender o que se diz e o que se escreve”.
    No final do texto o autor cita a escritora Doris Lessing, premio nobel de literatura 2007, que diz que “quando se corrompe a linguagem, logo em seguida, se corrompe
    o pensamento.”
    Será que é isso que desejam nossos dirigentes e professores?

  10. silvino pinheiro Says:

    Quem é J.R GUZZO, , jornalista? , sem referencias????

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