Aula 06 – Dirceu e Olavo

Trotsky critica o Formalismo

Para hoje, leremos Olavo de Carvalho e José Dirceu. No total, são umas dez páginas, mas os textos são simples e fáceis de ler.

Os textos do Olavo podem ser baixados aqui. O primeiro, que é muito bom, faz uma crítica poderosa a uma premissa que fundamenta as teorias hermenêuticas contemporâneas: a de que textos podem ser lidos independentemente da realidade que descrevem. Tenho muitas ressalvas quanto ao argumento em si. Mas que o texto é bom, é. Como disse em aula, o Olavo de Carvalho tem uma forma de argumentar que – excluidas as ofensas – acho gostosa de ler. É disciplinada, ordenada, escolástica. Lembra Tomás de Aquino. O segundo texto dele é uma resposta a Luiz Mott, líder do Movimento Gay da Bahia.

Já o texto de José Dirceu – que você pode baixar aqui – responde a uma reportagem da Veja sobre a educação no Brasil.

Qual é a minha opinião? Achei a reportagem fraca – não por criticar a ideologização do ensino pela esquerda mas por responder a ela com outra ideologização. Mas não será muito difícil perceber como o ex-ministro recorre a uma série de clichês sobre “classes dominantes” para evitar a difícil tarefa de responder à crítica em questão – ou de formular qualquer coisa que se assemelhe a uma proposta educacional para o país.

Que as escolas devem “formar cidadãos” é evidente. A questão é que “cidadão” é esse? É quem não joga lixo no chão? É quem não dirige embriagado? É quem não taca fogo em índio? Para Dirceu, o critério para ser cidadão não é respeitar uma série de comportamentos necessários para a vida em sociedade, mas aceitar um “discurso nacional sobre a história do país”. Ou seja, não apenas a democracia, mas também a própria cidadania, torna-se, repentinamente, um tremendo mal-entendido no Brasil.

Mais interessante do que o que o autor diz é o que ele evita dizer a todo custo, o que ele não discute – o poder e a autoridade. Quem vai elaborar esse “discurso nacional”? Segundo Dirceu, será o Estado. E quem tomará as decisões nesse caso? Quem vai decidir que “história real do Brasil” é essa a ser ensinada? Dirceu não diz. Como todo autoritário, evita problematizar as formas pela qual a autoridade é constituída, naturaliza-a. Mas a resposta implícita dá medo: “eu”.

É certo que o Estado é produto da ideologia. Mas daí a dizer que ele deve ser instrumento de sua disseminação é fazer o salto de um Estado liberal imperfeito para um Estado pefeitamente totalitário.

Ou seja, vejo em Dirceu a transposição, para o Estado, de algo que existe de forma embrionária na matéria da Veja: a defesa de uma definição confessional da cidadania. Que diabo é isso? É condicionar o reconhecimento do outro como cidadão não ao ato, mas à confissão pública de determinada ideologia. No fundo, é uma descrição perfeita do espaço público brasileiro contemporâneo.

*****

PS – O texto de Trotsky que mencionei em sala vem de Literatura e revolução. Chama-se “A escola poética formalista e o marxismo” e pode ser acessado clicando aqui. Há uma semelhança entre como Trotsky descreve o Formalismo e o que Olavo diz sobre o relativismo – ambos pecariam por tentar substituir a realidade por palavras. Francamente, não sei o que fazer com a semelhança. Mas fica como um tema interessante para trabalhos finais.

PPS – Se alguém tiver interesse em ler um texto meu sobre o formalismo – mais especificamente sobre a influência da ética Luriânica em Shkovsky – pode lê-lo aqui.

PPPS – Enfim, estamos terminando hoje a fase introdutória da disciplina: para terça-feira, começaremos a ler A cidade das letras, de Angel Rama (pre-textos e capítulos 1-3).

8 Respostas to “Aula 06 – Dirceu e Olavo”

  1. Kaio Says:

    José Dirceu esbanja inúmeros clichês em suas críticas à Revista Veja, faltando com a consistência. Para início de conversa, ele se sente ameaçado com a proposta de ‘neutralidade’ (que não é tão literal quanto ele argumenta), pois, como bem se sabe, a produção intelectual brasileira é predominantemente de esquerda, com a colaboração da própria geração de Dirceu.
    De quebra, tenta adaptar a teoria da “indústria cultural”, legada pela Escola de Frankfurt, para afirmar que os meios de comunicação manipulam a opinião nacional ao seu belprazer. Com isso, Dirceu, intencionalmente ou não, nega a possibilidade de o indivíduo ter livre-pensamento e autonomia intelectual, pois para ele a mídia sempre estará formando as opiniões sem que os leitores e telespectadores façam um mínimo exercício racional para processar o que lêem, ouvem e vêem.
    Porém, haveria uma esperança: o Estado e os partidos políticos (ou, mais explicitamente, o PT) ajudariam os indivíduos (principalmente a ‘classe trabalhadora’, recurso retórico recorrente para ele e outros petistas) a se conscientizarem dos problemas nacionais e terem uma opinião mais crítica, sem cair nas garras dos “interesses estrangeiros e das classes dominantes”. Tsc, tsc…

    Quanto a Olavo de Carvalho, no primeiro texto ele critica a metalingüística vazia de sentido e a verborragia de certas correntes de pensamento ‘moderninhas’. É um texto de caráter mais lingüístico e filosófico, e ele tenta provar a falta de lógica em uma construção teórica que se autoproclama ‘fechada em si mesma’.
    Em “O Evangelho segundo Luiz Mott”, sua veia polemista fica explícita: desta vez, seu alvo é o ‘politicamente correto’ movido por setores que defendem os direitos dos homossexuais. O artigo é todo elaborado com tons de ironia, demonstrando o Febeapá que contamina a carta do líder gay. De fato, se à primeira vista Olavo pode soar como mero ocidentalista/fanático cristão/homofóbico (alguns podem ver preconceito e mau gosto quando ele fala, por exemplo, em sodomia), logo demonstra que seu alvo não é a sexualidade de seu desafeto, mas sim a megalomania do mesmo ao, simultaneamente, rechaçar a Bíblia e considerar-se um ser especial e próximo de Jesus/Deus, justamente pela sua (homo) sexualidade.
    Carvalho e outros pensadores de tendência conservadora enfatizam justamente este ponto: as ‘minorias’ que têm pretensões tão arbitrárias e autoritárias quanto as próprias ‘maiorias’ que as oprimiram. É uma retaliação que se veste de ‘justiça’, mas acaba tendo conotações nocivas e normativas.
    Porém, talvez Olavo superestime as pretensões de Mott, algo que ele costuma fazer em seus textos (em alguns casos, a ponto de virar ‘teoria da conspiração’) com o intuito de legitimar sua desconstrução e refutação.

  2. Murilo Says:

    Ótima escolha de textos, Andrei. São claros, objetivos e de alto valor crítico.
    Olavo de Carvalho explora em seu primeiro texto a relação casca e conteúdo, tema o qual já foi muito debatido por nós.
    Discordo dos adeptos da “Teoria d texto fechado”, pois embora os textos façam referência a outros, todos possuem uma essência própria, singular. Os textos digressivos de Machado de Assis, por exemplo, faz referência a inúmeros outros textos ou teorias, sendo que o seu próprio texto comunica-se de uma forma diferente em relação aos outros. É válido lembrar que um texto não possui apenas as idéias para comunicar-se, mas toda a sua estrutura, sua estética e sua linguagem transmitem informações e influenciam no pensar do leitor. Como o prórprio título expressa, o texto está inserido num mundo onde há uma complexidade nas relações sociais. Livros, filmes, textos e propagandas descodificam parte delas de uma maneira progressiva e eficaz, portanto não há motivo de um autor escafandrar-se em suas próprias idéias e ignorar as abordagens de outros autores que conseguiram ser mais claros ou que conseguiram analogar melhor.
    Olavo cria termos que soam tão leves mas que possuem uma densidade tremenda, como “clausurista fanático”.
    É necessário citar também a grande sacada de Olavo ao descodificar os eufemismos e ironias utilizados por Luiz Mott. Dessa maneira, conseguiu despir o texto deste da armadura de repeito que este, inconscientemente, ainda possui pela religião (se não for respeito, é medo de argumentação).
    Olavo abusa do humor para debochar para debochar do artigode Luiz, como em “Se os leitores duvidam que a autoridade do Professor Doutor é divina, onipotente e onipresente, leiam com atenção”, “mas pela própria presença do Verbo que se fez banhas e foi sacudi-las na Parada Gay” e por chamar Luiz incessantemente de “Professor Doutor”.
    Já José Dirceu não é inovador em seu texto, pois todos sabem do caráter manipulador que a VEJA possui. A importância da sua argumentação é de que esse assunto, finalmente, foi publicado por um nome de peso em nosso país. Essa revista sempre tentou vestir suas afirmações como verdades absolutas e apresentar seus pontos de vista como os mais coerentes, sendo que essa estratégianão passa de um método usurpador. No ano passado, por exemplo, a fim de vender a marca do novo sistema de ensino criado pela Editora Abril, ela começou a caluniar outros sistemas de ensino. No caso referido foi o COC que ganhou manchetes na revista sendo classificado como “porno-marxista”.
    Só um adendo: que meio de comunicação é capaz de dizer que uma informação deve ser completamente neutra? Eu, já no primeiro semestre de faculdade, já aprendi que isso é impossível. Com certeza, eles sabem dessa impossibilidade: mais uma tentativa de manipulação.

  3. Joyce Says:

    O primeiro texto trata da forma como uma teoria é apresentada. Olavo de Carvalho afirma que uma teoria qualquer ou “idiota”, como ele afirma, pode parecer inteligente se colocada por termos elegantes. Dependendo da estrutura da palavra, do texto, da forma como fala, o resultado agrada independente do conteúdo explicado. E na explanação de um texto, outros vários são citados sem que mostre alguma relação entre eles. O grande problema em mencionar outros textos ou frases é não explicar o porquê da citação. Se ela é dita tem de ter algum sentido ou vira um emaranhado de autores ou palavras bonitas sem significado nenhum com o propósito, apenas, de se aparecer.

    O segundo texto de Olavo de Carvalho pode ser relacionado com o primeiro. Ele critica a forma com que Luiz Mott opina sobre o artigo Conspiração de Iniqüidades. Mott se intitula doutor e professor e escreve com palavras difíceis. Olavo de Carvalho critica justamente esse ponto. Geralmente as pessoas que se acham intelectuais adoram colocar antes do nome inumeráveis títulos e falam difícil para que todos achem que são grandes inteligências. Aparência é tudo para alguns. O conteúdo, pouco importa. Adoro quando Carvalho coloca que a mensagem de Mott pode ter sido breve, mas tem tantos “pressupostos subentendidos” que só para decifrá-los gastaria muito espaço. Olavo de Carvalho desconstrói o texto de Mott mostrando que ele estava se fazendo de vítima de preconceito, mas é preconceituoso ao atacar algumas religiões e não permitir que algumas passagens da Bíblia sejam ditas. Mostra a contradição de Mott ao quere proibir tantas passagens julgadas preconceituosas da “palavra de Deus” (Bíblia) e se intitula “a verdadeira face de Jesus”. Como alguém julga ser Jesus se não aceita a palavra dês seu pai (Deus)? Mott acaba por fazer um discurso vago, sem conteúdo e contraditório. As palavras são bonitas. O texto é feito para impressionar. Se analisado, porém, só sobra um monte de letras sem significado algum. Olavo de Carvalho afirma, ainda, que esse tipo de discurso é, infelizmente, comum entre as pessoas formadoras de opinião.

    No último texto, José Dirceu critica uma reportagem sobre educação feita pela revista Veja. Afirma que ela defende a neutralidade dos professores em relação à política, sendo que ela passa uma visão já formada para seus leitores. Diz também que as pessoas já recebem a informação com a opinião do meio de comunicação imposta. É bem verdade que a Veja não faz um jornalismo imparcial. Não é necessário um estudo aprofundado para verificar que a revista constrói uma edição para puxar o leitor para o lado dela. Mas não necessariamente isso vai enterrar qualquer forma de raciocínio. Nem as colunas e opiniões do jornal vão fazer com que os leitores se posicionem de acordo com o que está sendo colocado. Os meios de comunicação podem influenciar, mas não impor opiniões. A Veja parece não gostar muito do pessoal conhecido como “comunista”. E coloca isso claramente. Não foi sempre assim. Depois que resolveu adotar uma posição, tentou disfarçar a imparcialidade no primeiro momento. Não deu certo. Esse negócio de neutralidade e imparcialidade não existe em nenhum lugar. Isso é mais do que claro. Ainda mais no que diz respeito a Veja. Mas, voltando ao Zé Dirceu, será que ele teria a mesma opinião se fosse um meio que falasse bem do PT?

  4. Tajla Medeiros Says:

    Grande parte da crítica de José Dirceu à Veja é bem verdade. A posição imparcial da mídia em geral é velha conhecida da maioria das pessoas, mas a ameaça é tanta que refletir constantemente sobre esse assunto é necessário. No entanto o discurso manipulador que ele atribui à Veja é o mesmo instrumento que ele se apropria no seu discurso. Ele apresenta uma leitura interpretada da matéria da Veja, que já consta com todas as supostas intenções da revista. E ainda, para finalizar, ele avisa para o leitor que o próprio leitor não concorda com os argumentos da revista – a menos que ele faça parte da minoria manipulável, mas certamente ele não quer fazer parte dessa “minoria” – e ainda, claro, atribui os créditos dessa não-persuasão aos agentes políticos e sociais, como os partidos políticos, que não deixaram a massa ser manipulada. Ao que parece, a questão pra ele é: quem vai manipular agora? Já que não atribui à população nenhum senso crítico ou capacidade de analisar por si.

    No texto de Olavo de Carvalho, temos:”O Professor Doutor não prega abertamente a proibição do livro, mas deixa claro que só está disposto a permitir sua leitura em voz alta se ele for expurgado de todos os trechos considerados inconvenientes. ” O que é conviniente é parafrasear tendenciosamente a crítica de Luiz Mott para aumentar a credibilidade da sua refutação. Afinal, desde quando estimular e abençoar o racismo e a discriminação é um mero incoviniente e zelar para que, independente da crença ou religião, o respeito e a tolerância sejam preservados é um ato proibitivo? Mas Olavo de Carvalho não refuta o argumento de Luiz Mott simplesmente porque o considera prentensioso ou autoritário, mas sim porque Luiz Mott não tem credibilidade para opinar contra qualquer coisa que seja, afinal ele é um “Professor Doutor”. A partir da primeira linha, Olavo de Carvalho deixa claro que um líder gay que se autointitula Professor Doutor não deve ser levado a sério. Fica entendido uma espécie de hierarquia em que Luiz Mott não está apto nem a propor modificações na bíblia – contraargumento de Olavo de Carvalho levado ao extremo – e nem talvez a criticar um artigo dele – ou seria Dele? -. Veja só que ousadia. Portanto essa autoridade que Olavo de Carvalho atribui a Luiz Mott é, na verdade, uma característica do seu próprio discurso.

  5. Tajla Medeiros Says:

    Quanto ao outro texto de Olavo de Carvalho, achei desnecessário fazer uma tese de mestrado para dizer o óbvio. Mesmo correndo o risco de subestimar o texto, acho que ele se dedicou tanto a analisar a “atividade universitária no domínio das ciências humanas” que acabou reproduzindo um texto com a mesma estrutura.

  6. ivett Says:

    Comentário do ex-Ministro José Dirceu sobre a revista Veja

    De início quero deixar claro que concordo com a crítica do autor feita à Revista Veja.
    O autor começa seu texto de crítica à revista Veja dizendo que todos sabem como é a Veja e que ela é capaz de tudo. Entendo que ele queis dizer que a revista não é séria pois esse “capaz de tudo” para mim significa que a revista publica qualquer tipo de reportagem, seja verdade ou não. É continua dizendo: “…é capaz até de se superar”ou seja, de ir além de ruim. Portanto, o texto começa marcando uma posição de crítica negativa.

    O tema inicial é o da matéria publicada sobre educação que teria sido capa da revista. O autor diz que pesquisa realizada revelou, segundo a opinião do redator, que o ensino vai mal pois está dirigido a formar cidadãos de forma ditatorial. A revista defende que o ensino tem de ser neutro… e diz:

    “A Revista propõe deixar para a TV, as emissoras de rádio, a imprensa, enfim a própria e as demais revistas, o papel de formar a consciência dos estudantes e cidadãos, como se fosse possível um Estado sem ideologia e sem um discurso nacional sobre a história do país”.

    Penso que essa coisa de achar que o Estado tem de deixar os meios de comunicação fazer a cabeça das pessoas é muito perigoso porque sabemos a força que têm os meios de comunicação. O Governo tem de ter uma política educacional que permita a formação da pessoa de forma que ela possa ter uma opinião crítica com relação à informação que recebe.

    Esse comentário também serve para a crítica mais adiante que a revista finge ignorar o papel e a força dos meios de comunicação.

    O autor diz também que a revista não consegue impor suas idéias porque “existe uma grande pluralidade de agentes políticos e sociais, como partidos políticos, entidades, escolas, as famílias e as empresas.”
    E termina dizendo que a revista quer manter a visão da história do país que predominava no tempo da ditadura.É claro, não posso opinar sobre essa afirmação pois não sei muito sobre esse tempo do Brasil.

  7. ivett Says:

    O Texto sem Mundo
    O texto de Olavo de Carvalho inicia dando um exemplo de que “a elegância dos meios não tem nada a ver com o valor dos fins”. Isso quer dizer, no meu entender , que as pessoas podem usar argumentos bonitos e bem pensados para enganar quem os está escutando. O autor diz: …”uma teoria perfeitamente idota pode ser exposta por meio de raciocínios sumamente elegantes que lhe dêem ares de alta sabedoria”.

    Como ele fala de universidade, parece que ele quer dizer que as pessoas ali não têm condições de separar o certo do errado. E me inclui nessa lista, como a todos os universitários brasileiros. Para mim começa mal.

    Imediatamente o autor diz que a maioria dessas teorias baseiam-se no pressuposto “que o objetivo de um texto consiste em enfocá-lo “em si mesmo”, como objeto a ser descrito e analisado, sem nenhuma referência a significados exteriores”.

    Continuando sua argumentação o autor diz “que os adeptos da teoria do texto fechado recorreram ao expediente de alegar que um texto se refere a outro texto que se refere a outro texto e assim por diante indefinidamente…” de modo que um conjunto de textos só fala de si mesmo”, num círculo viciado.

    Curiosamente, de repente, um autor que vinha mantendo uma linguagem inteligente e comentários a nível universitário, se mostra com uma linguagem quase popular, como se escrevese para o público que ele inicialmente tratou como um público incapaz de entender linguagerns sofisticadas. Então ele apela para uma metáfora de baixo nível, a masturbação:

    “Como a busca de solução ao que não tem solução é um movimento masturbatório que excita o desejo e a fantasia em progressão geométrica à medida que aumenta a intensidade da dedicação, e vice-versa, logo o leitor entra num estado alterado que, com um pouco de boa vontade, será tomado por um sinal de inteligência.”

    E continua: “E. como, enfim, eese estado é compartilhado por milhares de pessoas dedicadas por ofício universitário a esse genero de oráticas, acaba por se formar entre elas algo como um campo semântico espcial, semelhante dos drogados ou dos aficionados de UFOs.”

    Entendo que o autor tem suas idéias próprias de como os universitários brasileiros (?) são completamente manipulados… e entendo, também, que êle usa a mesma técncica de tentativa de convencimento por manipular informações que a maioria de nós não possui… Finalmente ele conclui que uma boa parte da atividade universitária brasileira se consiste disso. Será verdade?

  8. ivett Says:

    Comentário sobre o texto “O Evangelho segundo Luiz Mott”, de Olavo Carvalho, publicado no Diário do Comércio em 2 de julho de 2007.

    O autor, no presente texto, comenta sobre o lider gay Luiz Mott “que se diz Professor Doutor” e que talvez seja mesmo, diz ele, já que os portadores desses títulos abundam nesta parte do universo. O comentário é infeliz, porque imediatamente estabelece sua posição sobre os intelectuais brasileiros.

    O autor indica que o texto é uma resposta ao que o senhor Mott comentou sobre o artigo que ele escreveu, chamado “Conspiração de Iniquidades”. Passa, então, a argumentar com base no que teria escrito o senhor Mott teria dito. E cita diversas passagens…

    Uma delas é a seguinte: -Palavras do Senhor Mott – “Portanto, Olvavo de Carvalho, o Papa Ratzinger, os pastores fundamentalista et caterva podem espernear a vontade, pois a história mais cedo que se espera, fará justiça contra esses fariseus , reconhecendo, também os homossexuais são templos do Espírito Santo e revelam, quando discriminados, a verdadeira face de Jesus. É legal ser homossexual.”. A parrtir desse momento o autor passa a desmontar a argumentação do senhor Mott, analisando passagens da bíblia e tentandomprovar para seus leitoraes que ele é intelectual e o senhor Mott um homossexual bobo.

    “Só podemos concluir que a fonte de onde ele recebeu a mensagem divina não é a Bíblia nem as tradições baseadas nela.” E adiante comenta: ” A novidae que ele introduz aí é formidável: os homossexuais são templos do Espírito Santo não enquanto meros seres humanos, mas enquanto homossexuais.” Eu não entendo muito da questão nem da relação dos homossexuais com a religião. Sei que se eles existem é porque é uma coisa que devemos aceitar como natural. Mas a forma como o autor ataca a questão me parece um pouco exagerada, como se ele mesmo fossse homossexual sem coragem de assumir sua situação.

    Mais adiante ele afirma: “O Doutor Professor Mott, nesse caso, seria apenas um idiota. Mas compreendam que o Professor Doutor é o próprio Cristo reencarnado…”

    Como se vê,o autor se coloca numa posição superior para criticar o Senhor Mott, e usa da ironia intelectual para esse fim. “Só a análise integral do raciocínio implícito pode desfaser o encantamento, mas raros ouvintes terão a prudência – e os meios intelectuais – de realizá-la.”. Aqui, mais uma vez, o autor diminui a capacidade de entendimento da platéia, seja ela qual for. Isso émuito estranho de alguém que se pretende culto e inteligente.

    Mais adiante ainda ele vai dizer: “Para a desgraça da humanidade esse tipo de discurso é o do uso mais frequente entre os revolucionários, profetas do mundo novo e justiceiros globais em geral”.
    Eu sou cubana e em meu pais se fez uma revolução pela nossa independência que até hoje existe porque os EUA não querem aceitar essa situação de que somos um povo livre. Mas isso de incluir “revolucionários” no seu texto contra homossexuais não tem nada a ver. Ele parece não saber o que é ser revolucionário.

    Concluindo, esse autor me deixa claramente a impressão de que tem problemas pessoais com sua sexualidade. Usar tanto conhecimento para tentar desmontar esse senhor Mott e sua homossexualidade me parece que deve ter suas razões próprias. Enfim, é um texto que não ensina nada.

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