Aula 04 – Machado e Josias

Oi gente,

O tempo está apertado. Então, por enquanto, vou apenas postar aqui os textos a serem lidos.

Acesse aqui a Teoria do medalhão, de Machado de Assis.

Acesse aqui a crônica de Josias de Sousa que cita o medalhão.

12 Respostas to “Aula 04 – Machado e Josias”

  1. Tajla Medeiros Says:

    Em “Teoria do medalhão” de Machado de Assis identifiquei muitas das idéias discutidas em “Novos Tempos” quanto ao perfil dos intelectuais brasileiros. Com a diferença de que eu ri – a contra gosto – das ironias de Assis justamente por me sentir, por vezes, ridicularizada.

    A idéia de ler teóricos, filósofos, cientistas e afins apenas para satisfazer a curiosidade, o ego e mais tarde se utilizar de citações dos respectivos apenas para dar mais credibilidade ao discurso, ainda que as citações não sejam totalmente coerentes não é absurda. Além do mais, é engraçado como a cultura funciona como adorno, sim. E mais engraçado ainda (ou não) é não conseguir pensar numa situação
    diferente dessa. Eu, sinceramente, não consigo. Não consigo imaginar alguém que leia muito, conheça com propriedade diversos autores mundiais consagrados e não se utilize disso para se envaidecer. Quando, aliás, não é motivado pela própria vaidade.

    O Medalhão, então: não tem idéias novas, apenas repete o conhecimento já pensado; e se utiliza da cultura para ter status, para sua própria vaidade. Sendo assim, eu não concordo com Josias de Sousa ao atribuir à atitude de Lula um ato típico de medalhão. Afinal, quando o Medalhão cita suas máximas e versos célebres consagrados, ele pretende impressionar, dar a entender de que ele é muito sabido e espertão. Talvez até calar uma possível discussão diante de uma citação de tanta credibilidade. Já “o ensinamento” de Lula, sobre as lagartas que precisam sofrer para virarem borboletas, tem mais a intenção de sensibilizar, dar Aquele tom dramático típico ao discurso. Soa como a famosa frase de efeito: as crianças são o futuro do país!

    A intenção do Medalhão é parecer mais inteligente do que ele realmente é, e esse não me parece ser o objetivo de alguém que cita a lição da borboleta, que nem autor conhecido possui (para soar erudito, a fonte da citação é por vezes mais importante que seu conteúdo).

  2. Kaio Says:

    Machado de Assis, como sagaz observador do comportamento e da (falta de) idéias da classe média de seu tempo, escreveu um conto em que explicita o valor que a mesma dá para as aparências. A “Teoria do Medalhão” beira à síntese do vazio intelectual e a futilidade de tal segmento social.
    A publicidade e as citações esporádicas valeriam muito mais do que possuir idéias próprias, encantar-se pela filosofia e a ciência. Antes ser lembrado por ser uma pessoa pública e sempre em evidência que cair no esquecimento e na solidão por ter seguido suas idiossincrasias.
    Um dos trechos mais interessantes do texto é o seguinte: “75 por cento desses estimáveis cavalheiros repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é grandemente saudável. Com este regime, durante oito, dez, dezoito meses – suponhamos dois anos, – reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum.”

    Josias conseguiu traçar uma curiosa comparação entre o gesto do presidente Lula ao utilizar-se de um ensinamento alheio (e internético) com o ‘tipo ideal’ de medalhão do conto de Machado. Porém, acredito que o cronista forçou um pouco, pois, embora Lula realmente tenha se destacado em sua carreira pela retórica adequada às circustâncias e o pragmatismo, ele não parece fazer citações para esbanjar intelecto, mas justamente o contrário: para descontrair, soar simpático e informal ou qualquer outra coisa que não necessariamente o identificaria como medalhão.

  3. Murilo Gomes Says:

    Mais uma vez, um crítico político utiliza a questão da linguagem para injuriar algum servidor público. Como das outras vezes, o discurso do crítico, Josias de Sousa, no caso, é vazio e preconceituoso. Para este, é incompreencível a escolha feita pelo presidente de uma texto vindo “de uma fonte de citações que o tempo sonegou à geração do velho Machado: a internet”, como se apenas os jargões fossem dignos de tal cargo público.
    Essa visão do “quanto mais difícil, melhor” é explorada por Machado de Assis em seu conto “Teoria do Medalhão”, a fim de quão falsa e inoperante é a moderna burguesia, a qual necessita de rebuscamentos na linguagem para não transparecer burrice e comodidade.
    José Dias, ops, Josias de Sousa parece amar tão arduamente Machado de Assis que tentou utilizar uma linguagem bem machadiana (profunda e complexa) para desabrochar uma crítica quão rala e estúpida a um partido político, como se toda a história deste se resumisse em um discurso rotineiro: “Borboleta da política brasileira, a legenda empreendeu uma inusitada volta ao casulo, túmulo da lagarta. Cavou na enciclopédia um verbete indigno de sua história. Anotou nas profundezas dos livros um rodapé de larva. Deixou para a posteridade um rastro pegajoso de perversões.”
    Afinal de contas, Josias, para que fins mesmo escreveste tal texto?

  4. Murilo Gomes Says:

    Mais uma vez, um crítico político utiliza a questão da linguagem para injuriar algum servidor público. Como das outras vezes, o discurso do crítico, Josias de Sousa, no caso, é vazio e preconceituoso. Para este, é incompreencível a escolha feita pelo presidente de uma texto vindo “de uma fonte de citações que o tempo sonegou à geração do velho Machado: a internet”, como se apenas os jargões fossem dignos de tal cargo público.
    Essa visão do “quanto mais difícil, melhor” é explorada por Machado de Assis em seu conto “Teoria do Medalhão”, a fim de mostrar quão falsa e inoperante é a moderna burguesia, a qual necessita de rebuscamentos na linguagem para não transparecer burrice e comodidade.
    José Dias, ops, Josias de Sousa parece amar tão arduamente Machado de Assis que tentou utilizar uma linguagem bem machadiana (profunda e complexa) para desabrochar uma crítica quão rala e estúpida a um partido político, como se toda a história deste se resumisse em um discurso rotineiro: “Borboleta da política brasileira, a legenda empreendeu uma inusitada volta ao casulo, túmulo da lagarta. Cavou na enciclopédia um verbete indigno de sua história. Anotou nas profundezas dos livros um rodapé de larva. Deixou para a posteridade um rastro pegajoso de perversões.”
    Afinal de contas, Josias, para que fins mesmo escreveste tal texto?

  5. Joyce Says:

    A Teoria do Medalhão de Machado de Assis é uma crítica ao modo de vida da classe média de querer viver de aparências. As citações de pessoas importantes mencionadas da boca para fora pela burguesia para simular uma falsa intelectualidade. Com Lula, no entanto, não me pareceu correto aplicar o conceito do medalhão. Ao citar o texto da internet, Lula não parece ter o objetivo de impressionar, mas de contextualizar seu discurso no clássico jeito Lula de ser. O termo medalhão, porém, pode ser aplicado ao próprio Josias de Sousa que mencionou Machado de Assis sem uma interpretação condizente e acabou mostrando-se arrogante com a citação intelectual sem fundamento. Ele sim deu a impressão de querer se mostrar superior pelo conhecimento do texto machadiano, humilhando o presidente.

  6. Lucas Says:

    Engraçado como eu lembrei da ética protestante weberiana quando li a Teoria do Medalhão do Machado de Assis. A doutrina que Janjão ( acho que é este o nome) escuta do pai revela um certo metodismo crente – em relação a publicidade de si mesmo, dos seus feitos, e também do uso de meios pragmáticos para se fazer valer como a retórica e os modos de apresentar-se a sociedade … – ; uma disciplina “medalhistica” – do domínio da imagem, de saber usar o tempo e o esforço de um autêntico medalhão; de uma certa ética da poupança – poupança do tempo, do saber novo, mas não do saber eficiente em relação a “status-fins” – , e, enfim, mesmo um esforço de fé – porque, diabos!, um medalhão é quase um santo, e não eram/são somente os protestantes que buscaram/buscam um lugar no céu… Aqui o seu é mais embaixo… (Obs.: Eu ainda não li Josias de Sousa.)

  7. Pedro Vinícius Says:

    Machado de Assis define excepcionalmente toda uma cultura brasileira em seu conto, explicitando essa teatralidade linquística que afeta os homens poderosos deste país tão malogrado por esses tipos que fazem discursos redundantes e sem sentido e que tento aqui imitar. Josias de Sousa realmente citou um medalhão: FHC, que lê Eça de Queiroz no original e que nos seus discursos parecia tentar se igualar a ele.

  8. Lucas Says:

    Eu concordo com a Joyce quando ela fala que o Josias fez foi reclamar que Lula não foi um autêntico medalhão (mesmo querendo dizer que ele medalhou) ao usar a internet e uma alegoria “iletrada” como a da borboleta. Acho que o Josias se equivocou citando A teoria do Medalhão para dizer que Lula tava medalhando por aí e, por contraste, é possível mesmo enxegar um esteriótipo de classe em relação ao presidente torneiro mecânico. Vide a frase que coloca o FHC como um dos poucos capazes de ler Eça. Bizarro. Se o Josias tivesse na sala de aula não ia assumir, mas ele quis mesmo foi comparar a posse do Lula com “discurso de sobremesa”. Esse criticismo político no do Josias releva muito nossa própria cultura política: personalista, escandalosa. Mas, eu não posso negar que essa história da borboleta é a típica máxima liberal de que o trabalho dignifica e blá blá blá, afinal sair do casulo antes do tempo é deixar de se desenvolver plenamente, não vencer na vida, enfim, o mesmo que trabalhar pouco. Álias, isso tem haver com a ética protestante também! E até me lembra um episódio de Lost!

  9. Andrea Says:

    De fato, acho que o grande problema, pro josias, foi a tentativa frustrada de “medalhar” odo Lula. Como o lucas disse, o same old way de ver os políticos e a política no Brasil – ainda um lugar para os poucos que podem ler Eça no original…

  10. Andrei Says:

    Maravilhosos, os seus posts.

    Concordo com a maioria das suas leituras. No final das contas, a tentativa de “medalhar” (Marca Registrada: Andréa) o discurso de Lula acabou sendo paradoxal e contraproducente. Exemplificou, ela própria, o mecanismo do medalhão: fazer recurso retórico a autores de prestígio sem – entretanto – se dar ao trabalho de ler ou interpretar o texto utilizado.

    Acredito que o problema do texto de Josias não é o que faz com Lula. É o que faz com Machado ao apropriá-lo e reduzi-lo de texto crítico a mero subsídio legitimador do próprio discurso. O triste é que é precisamente esse gênero de apropriação que – acredito – Machado mais tenta evitar. Como todo bom ironista (de Jesus a Kierkegaard, passando por Luciano, Erasmo, Cervantes e Quevedo), usa a ambigüidade, o paradoxo e a divagação para evitar que suas palavras sejam reduzidas a um mero artifício retórico.

    No fundo, a questão é como devemos encarar os clássicos: como textos a serem abordados e dissecados ou como instrumentos de legitimação. A primeira postura é a da leitura crítica. Tem a virtude de atualizar o texto e fomentar o conhecimento. E frequentemente exige uma postura agressiva em relação ao autor ou à autora da qual gostamos.

    Já a segunda acaba usando o apelo à leitura para não ler. E transforma os textos que (não) lê naquilo que a crítica norte-americana descreveria como “artefatos culturais” – objetos que, usados para reforçar a autoridade de quem fala, acabam tendo pouco valor próprio. (Por leitura entendo não o ato de passar os olhos sobre palavras, mas o ato de brigar com textos, bater neles ou mesmo apanhar feio deles).

    Ou seja, independentemente de qualquer visão ideológica, há um perigo na supervalorização de textos ou autores. O valor inerente ao texto pode sempre ser substituído pelo prestígio associado a ele. O ato de ler pode ser substituído pelo de dizer “eu li, logo sou culto”. A ironia, então, é que a defesa da leitura, da erudição e da necessidade (real e urgente) de educar pode ter o efeito oposto ao desejado. Trata-se de uma armadilha universal, na qual todos podem cair, independentemente de preferência política ou – o que é muito mais importante – estética.

    No fundo, o problema não é novo. Já está em Paulo… mais especificamente, na Segunda Carta aos Coríntios.

  11. ivett Says:

    Machado de Assis – A Teoria do Medalhão – (Papéis Avulsos – 1882)

    No texto apresentado o autor cria dois personagens, pai e filho, que dialogam durante uma hora, das onze às 12 da noite, no dia do aniversário de 21 anos de Janjão.
    Sendo uma crônica do final do século XIX, o vocabulário tem palavras de difícil compreensão, hábitos de época, tratamento respeituoso e distante entre pai e filho.
    O Pai fala ao filho Janjão sobre seu futuro. Até o nome dele me parece meio ridículo, e toda a crônica me parece uma crítica, uma gozação do que seria um Medalhão,
    que, segundo entendi, são as pessoas bem vistas socialmente, que agradam a todos, que se dão bem com todos, que são tidos como pessoas de bem, mas que,
    na realidade são pessoas vazias, sem conteúdo, que dizem o que os outros querem ouvir. Me parece uma crítica aos políticos da época. Ou a algum político específico.
    O pai, sem a menor preocupação chama o filho de idiota: quando o filho pergunta sobre que profissão ele acha que ele deveria ter ele responde: “Nenhum me parece
    mais útil e cabido que o de medalhão.” E então o autor começa a definir o que é um medalhão. “Venhamos ao principal. Uma vez entrado na carreira, deves por todo
    o cuidado nas idéias… O melhor será não as ter absolutamente…”e depois diz “Tu meu filho, se não me engano, pareces dotado da perfeita inópia mental, conveniente
    ao uso deste ofício.”
    Durante todo o texto o autor vai ridicularizando tudo o que diz respeito ao medalhão. “As livrarias…não são propícias ao nosso fim..” E diz ao filho…mas se por acaso
    entrar nelas que seja para contar piadas ou fofocas… E depois de dar varios conselhos sobre como o filho poderia se tornar um medalhão ele diz”Com este regime,
    durante oito, dez, dezoito meses – suponhamps dois anos – reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum.” e asim vai.
    Mais adiante diz : “Não te falei ainda dos benefícios da publicidade. A publicidade é uma dona loureira e senhoril, que tu deves requestar `força de pequenos mimos…”
    Ele fala da publicidade pessoal, da auto propaganda, da forma de aparecer, de ser conhecido e de ser falado pelos outros. Ele diz que o medalhão nunca ensina ninguém
    a cuidar e criar cientificamente um carneiro, deve apenas comprá-lo e dar de presente para agradar as pessoas. O texto parece dirigido a ridicularizar alguém especifico
    da época. Cita, por exemplo, “Se caíres de uma carro…é útil mandar dizê-lo aos quatro ventos…” Ou seja, ele parece citar algum fato que aconteceu com alguém. O filho
    de vez em quando interrompe e diz que não é fácil esa carreira de tanta porcaria que o pai lhe ensina… não saber nada é difícil. No final vai dizer “Somente não deves
    empregar a ironia, esse movimento ao canto da boca, cheio de mistérios, inventado por algum grego da decadência…não, usa antes a chalaça…”Aqui, mais uma vez parece
    referir-se especialmente a alguém de sua época.
    O texto é interessante e diferente, com um humor fino, afiado. Na última frase o autor se compara a Maquiavel com seus conselhos.

  12. Anônimo Says:

    O autor inicia citando os conselhos de Machado de Assis em “A Teoria do Medalhão”, quando ele diz que a citação de clássicos é bom para discursos de sobremesa.
    Lembramos que no texto citadoMachado de Assis faz uma crítica e ridiculariza esse tipo de políticos, razão pela qual o texto me parece claramente anti-Lula.

    Afirma que Lula usou o conhecimento divulgado pela internet (não vejo nada de mal nisso), um ensinamento para servir de fecho para seu discurso.

    Mas o texto, que seria sobre o discurso de posse de Lula, que o proprio autor diz que não foi escrito por ele e sim por diversos intelectuais, foi feito para expor
    o Presidente Lula ao ridículo e, a meu ver, não conseguiu.

    Achei muito ilustrativo o exemplo da borbioleta para ilustrar que, muitas vezes queremos ajudar e, por ignorância, atrapalhamos. A pessoa tentou ajudar a borboleta e
    a matou porque não sabia da necessidade dela de sair do casulo feito pela lagarta pelas proprias forças. Qunado ela se esforça para sair, seca suas asas e pode voar.

    O autor diz que a lição que enterneceu Lula foi “Algumas vezes o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida”, e isso, par mim, pose ser uma grande verdade.

    No final vemos que a crítica é mais ao Partido dos Trabalhadores que ao próprio Lula. O PT teria feito uma viagem inversa, de volta ao casulo “Anotou nas profundezas
    dos livros um rodapé de larva”

    É a opinião pessoal do autor. Eu, estrangeira, não entendo bem porque tudo o que acontece aqui tem de ser culpa do Lula.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: